Tenho Sangue Em Minhas Mãos

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Barata Cichetto


Eu confesso: tenho sangue em minhas mãos. E não é qualquer sangue não: não é de siririca com menstruação, trepada com devoção, dedada com emoção.

Não, o sangue em minhas mãos não é de ditador ou patrão, de estuprador ou ladrão; do contador ou do cafetão.

Não é, o sangue que tenho em minhas mãos, de um traidor irmão, de um fingidor padrão, ou de um cantador ancião.

Tenho sangue em minhas mãos, mas não, não é o do corte de facão, não é o da sorte de bufão, não é o da morte de paixão.

O sangue que tenho agora em minhas mãos, é o sangue da dor do não, do dissabor da solidão, e do horror da servidão.

Confesso, sem ponderação, que tenho sangue vivo em minhas mãos. E não é qualquer sangue, não: é sangue do meu próprio coração.

29/10/2018

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Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e Editor do Agulha.xyz e Livre Pensador.

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