Shhhhhhhhhhhh

Compartilhe!

Barata Cichetto


Quem sabe eu morra amanhã… De gripe chinesa, espanhola, turca ou holandesa. Talvez de tristeza, safadeza, alguma impureza. Quem sabe eu morra daqui a vinte e três minutos. Ou segundos. Dias. Horas, Semanas. Meses. Anos. Quem sabe. Quem sabe? Ninguém. Deus não sabe, porque não existe sabedoria na inexistência. Posso usar máscara e tomar um tiro, um tombo. Um atropelamento, estrangulamento, coice de um jumento. Tormento? Aumento? Quem sabe eu morra amanhã… De súbito. De cúbito. E nenhum súdito a consolar. Quem sabe eu morra ainda hoje. Ainda tem duas horas para o dia acabar. Morra nas mãos de um bandido que a Justiça soltou, ou de câimbras num elevador. De um hospital, que classifica a doença mais importante, que claro não é a minha. O importante é a doença da moda. O importante é o que gira a roda. Siga o dinheiro e use máscara. Bem depois e bem antes do Carnaval. Dance pelado. Use alcogéu. É… Pode ser que eu morra amanhã, como disse Álvares, que morreu aos vinte e um De tuberculose. E quem sabe eu morra amanhã. De cirrose. Há-de-se morrer. Amanhã ou depois. Ah, deixe de se achar importante. Use máscara. Deixe que ela seja sua pele. Isso não te livrará da tua morte. Amanhã ou depois de amanhã. Adia. Não tarda. Falha. Não falta. Por que tem tanto medo? Shhhhhhhhhhhh … Isso é segredo!

09/12/2020

Do Livro:
Pornomatopéias
À Venda Pela Plataforma UICLAP
https://loja.uiclap.com/titulo/ua47842/

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e Editor do Agulha.xyz e Livre Pensador.

5 1 Vote
Avaliação do Artigo
Assinar
Notificar:
guest

0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários