Imagem Crian Com Ajuda de IA (Leonardo)

Sabe a Democracia? Agora é Uma Prostituta, Que Atende de Graça no Tribunal

Compartilhe!
Barata Cichetto

— Sabe aquela tal… Aquela… A tal da Democracia?
— Sim, sei, o que tem ela?
— Não sabia? Agora ela atende num daqueles puteiros de um e noventa e nove.
— Deixa de brincadeira, cara, a Democracia é uma senhora, mãe de três filhas…
— Sim, ela é uma senhora, mas agora, virou puta. Sabe o que isso? P-U-T-A.
— Claro que sei o que é puta, já peguei muitas, mas falar que a Democracia agora é uma dessas… É demais, não é?!
— Não culpe a mim, sou apenas o portador da notícia, que não é fictícia. É fato, não é fake não, como se diz na televisão.
— Como assim, como pode uma senhora tão idosa, que sempre teve moral acima de Deus e de tudo, virar uma simples rameira?
— Ah, caro amigo, o primeiro motivo que alega é o de ser brasileira. Isso, segundo ela, já a transforma numa rampeira. E em segundo lugar, depois que suas três filhas, a Liberdade, a Responsabilidade e a Fidelidade, foram estupradas, sendo que a Liberdade foi morta, ela se desacorçoou da vida, e resolveu seguir o caminho da mundanice. Disse que viu tanta porcaria e tanta imundice, que não podia mais continuar sendo honesta, então caiu na vida funesta de meretriz.
— Uma pena, porque a Democracia sempre primou pela Justiça, e era até tratada pela maioria como uma Santa, como pode ela terminar assim, como uma mera meretriz?
— Saramago, aquele velho mago português já disse há muitos anos, que “a Democracia é uma Santa de altar, de quem já não se espera milagres.” E já quando ele disse isso, tinha ao menos uma ponta de verdade, mas nada como o que ela viria a passar, cá nas terras da promiscuidade… Porque especialmente de alguns anos, depois de uma tal de Constituição Cidadã, a pobre da Democracia passou a ser usada como salvo conduto para bandidos, ladrões, terroristas e outros punguistas da nação. A pobre foi estuprada todos os dias, pelas esquinas e favelas, nos filmes e nas novelas. Todos os dias a pobre de casa saía, e sabia que na esquina tinha um viciado, um traficante e que a qualquer instante, ela podia ser vilipendiada. Ah… Pobre coitada…
— Mas não foi por ela, que os Revolucionários Contra a Ditadura Militar, contra a opressão, aquela turma do Tortura Nunca Mais e os Carbonários brasileiros lutavam?
— Claro que não, nobre amigo, isso é o que eles diziam, para aparecerem bem na fotografia, porque não era por ela, a inocente Democracia, que aqueles lutavam, mas pela sua meia-irmã do mal, a Ditadura, filha bastarda de Stalin com Hitler.
— Não sabia disso. Mas, me diga, a Democracia não era a mais importante, não apenas nos meios políticos, como em todos os outros? Como deixaram que ela acabasse assim, como uma prostituta de um e noventa e nove? O que dizem aqueles que se deliciaram com seu nome, nas praças, nos púlpitos, nos congressos, e principalmente nas tribunas?
— Caro amigo, conheces aqueles canalhas, que quando querem transar com uma mulher prometem casamento, filhos, riquezas e muito mais? Pois é, assim são esses, togados, fardados, deputados, senadores… Enfim todos esses pequenos ditadores, que a usaram, engravidaram e abandonaram. A trataram como depósito de seus espermas imundos, a ela prometeram mundos e fundos, e ainda em seu nome, usando até sobrenome, mataram sua filha mais estimada, a Liberdade. Haja desgosto para uma mãe, ter uma filha assassinada, e ainda em nome dela, como se fosse ela a culpada de tanta maldade, de tanta infelicidade. E sem a Liberdade, claro que o único caminho que a Democracia podia trilhar era o da prostituição.
— Muito triste, mas eu sempre a amei, sabia?
— Duvido, porque aquele que a amou, jamais a deixaria cair na rua da perdição, jamais permitiria tal depravação, aceitando que togados rufiões a tenham transformado numa mera aberração.
— A gente não podia, sei lá… Sair às ruas, marcar protesto na Paulista, se vestir de verde e amarelo, para pedir que a Democracia saia de vida de prostituição?
— Meu caro, de nada adianta reclamar ou protestar pela situação, porque há um balcão de reclamação, mas quem atende é o que se alcunha de Guardião da Constituição, ultimamente chamado de Rufião da Prostituição.
— Entendo… Mas, me diga, onde é mesmo que a Democracia agora como puta atende?
— Procure na Internet o endereço. É fácil de achar. Fica na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Não é na Boca do Lixo, não! E nem precisa pagar, porque ela atende de graça.

06/06/2024

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e editor do Agulha.xyz, e co-fundador da Editora Poetura. Um Livre Pensador.
Contato: (16) 99248-0091

Assinar
Notificar:
guest

2 Comentários
Mais Recente
Mais Antigo Mais Votado
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários
Genecy de Souza
Genecy de Souza
09/06/2024 1:13

Se ela não atendesse de graça, quanto custa uma rapidinha com a Democracia? O rala e rola seria feito nos fundos do prédio do STF? Ou seria nos porões do Palácio do Planalto? Ela trabalha a serviço de algum proxeneta? Ou será que ele é uma microempreendedora de sucesso?
A taxa de fertilidade dessa rameira é altíssima, e seus filhos e filhas estão poder.

Barata Cichetto
Administrador
Responder a  Genecy de Souza
09/06/2024 11:33

São dúvidas pertinentes, embora impertinentes, rs. Comentário auspicioso!

Conteúdo Protegido. Cópia Proibida!