Rei Lagarto, Carro Bomba e King Bird (Blackmore Bar)

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Barata Cichetto


“Inteeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeernaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!” Era o grito do grande René Seabra, dentro do Blackmore Bar, na sexta, dia 5 de outubro. “Esses caras são loucos!” Repetia.

Realmente, a atual formação do Carro Bomba, que conta com Rogério Fernandes, ex Golpe de Estado e Fernando Conde (Primeiro Baterista do Tomada) é de uma insanidade que nenhum hospício é capaz de curar. E nem a gente quer!

E então, a loucura tomou conta do Blackmore durante cerca de uma hora na madrugada de sexta para sábado. A entrada de Rogério, indiscutivelmente um dos maiores vocalistas de Rock brasileiro na atualidade, liberou Marcelo Schevano, para suas loucuras criativas na guitarra. Marcelo é fera e vem crescendo cada dia mais como músico. É fantástico escutar sua guitarra. E já que loucura pouca é bobagem, Brizio The Hero, codinome desse elétrico e alucinado baixista. O sujeito toca o baixo como quem pretende ligar o Céu e o Inferno, a sanidade e a loucura pelas cordas do instrumento. Não pára um minuto, balança a cabeleira e espanca, no melhor sentido, as cordas do baixo.

E a loucura sai dos alto-falantes e se espalha pela pista e pelas mesas. Não há latas de breja suficientes no bar que possam acalmar minha alucinação e então em canto em “Ritmo de Fúria” á plenos pulmões, junto com Rogério e Marcelo e não estou nem ai acaso pensem que enlouqueci. É estamos, não apenas eu e o René que não cansa de “pedir”: “Inteeeeeeeeeeeeeeeeernaaaaaaaaaaa!”, mas todas aquelas pessoas que estão ali curtindo aquela loucura sonora proporcionada pela Carro Bomba. Nelson Brito e Paulinha também estão! Nando Fernandes, irmão do Rogério idem. Sem contar meu amigo Wilson Caramello e os brothers do Pássaro Rei. Ricardo Soneca e Xande do Baranga também estão! E, segundo entendi, até a mãe do Rogério e do Nando estava. Estamos todos loucos sim!

O Carro Bomba toca alto e com tesão, como tem que ser um concerto de Rock. Carro Bomba derruba paredes, derruba barreiras. Paredes e barreiras de hospícios. Não chamem os médicos, não tragam injeções, deixem os loucos tocarem, descontarem no som a sua injúria, num frenético ritmo de fúria. Prendam os médicos e soltem os loucos!

Nem sei que horas são, mas é muito cedo para acabar com essa loucura, sejam as horas quantas forem! Mas acabou! O Carro Bomba atropelou preconceitos, explodiu os muros do hospício. E uma coisa eu garanto, não restará após esse dia, pedra sobre pedra. Mas o Pedra é outra loucura e como “loucura pouca é bobagem”, enlouqueçamos todos nós! Juntos!

E como disse Mr. Michelloni: “Não interna que nóis fogi!”

Nota do Redator Louco: O show teve também a participação da banda de Campinas Rei Lagarto, que cheguei no final, e dos amigos da King Bird, que só vi a primeira música, “24 Hours”, pois não podia perder uma carona para atravessar a cidade.

10/5/2007

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e editor do Agulha.xyz, e Livre Pensador.

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