[Tua mudez inviolável feriu o poema]

Lu Genez


Tua mudez inviolável feriu o poema

Uma nota dissonante sensível ao tato

De qualquer coisa ácida

arranhada na pele

Que arde incômodo nos sentidos

Grita a indisfarçável indiferença dos olhos.

 

As fachadas perfeitas dos prédios

De elevadores panorâmicos

Das janelas incomunicáveis

Que falam solidões abstratas

Em vozes metálicas

Hermeticamente fechadas

Para não se vazar, nenhuma dor obscena,

vermelha

Na cidade cinza.

 

O soneto guarda esperas

De um poeta ausente

Da ambição da voz

No papel em branco

Das rimas imperfeitas.

Saudades inauditas

 

A poesia sente

O concreto

Frio.

 
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