[Toda a letra do teu poema possui uma boca ávida]

Lu Genez

Toda a letra do teu poema possui uma boca ávida

Das ânsias enrijecidas.

Beijaram-me os pelos
Disseram que era amor.


As cócegas saltadas
Os arrepios espalhados nessa cama larga
Beberam do meu gozo
Como se toma água num deserto,
Com vontades definitivas
Até seter a garganta afogada de pele.

               
dormiram o sono dos homens amantes
Do sêmen ejaculado e da fome surpreendida
O corpo largado sobre o meu
Os olhos vidrados nos meus
Lábios vermelhos e inchados de nós,

levavam o gosto de saliva quente, do sal e do suor.
Enquanto as letras do teu poema, bailando tudo a volta

faziam conjunções adverbiais, carnais.

Gemiam grande,
Abençoavam orgasmos.


teu poema tem letras de dentes brancos

e caninos pontiagudos

arregaçados e desejosos

mastigavam a minha carne impura

profanada de cio.

 

Teu poema é exótico, erótico, animal

Dos sexos embaralhados e confundidos

De dedos atrevidos.

Tem cheiro de letra escorrida entre as pernas

Verso sedento de rima avarenta.

 

Teu poema é assim

Papel riscado

Perfeito.

 
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