Poesia: Barata Cichetto – The End

Barata Cichetto

“O Futuro é Incerto e o Fim Está Sempre Perto!” – Jim Morrison

Deixei de ter medo dos meus monstruosos assombros,

E deitei-me nu e silencioso sobre perigosos escombros.

 

Banido e esquecido, qualquer lugar é bom de esquecer,

Ferido e perdido, qualquer terra é boa para se aquecer.

 

Chamei por erros minhas estrondosas experiências,

E em derrota converti as mais gloriosas desistências.

 

Latem cadelas na rua, uivam cachorros na vizinhança:

Calem a todos, e matem ao maldito cão da esperança.

 

Bebam comigo um café amargo com gosto de serragem,

E saúde aos que ficam, à minha semelhança e imagem.

 

O que esperam do futuro, crianças do crime supremo?

Não atendam o celular, que pensar é perigo e extremo.

 

Acordaram tarde demais, e agora não existe o diferente,

Pintaram o céu de vermelho, cor preferida do presidente.

 

Deixem suas culpas apodrecerem debaixo da cobertor,

Tapem as narinas, que o mau cheiro é do seu redentor.

 

Deixei ela chegar, a única a comigo sofrer de saudade,

E se não resisto é pela dor de saber o que é a maldade.

 

Carne sobre meus ossos não há quase nem a sombra,

A morte é o que me consola e não o que me assombra.

 

Que sejam malditos enquanto durar sua descendência,

E todos que me fizeram sangrar nessa inútil existência.

 

Sua herança a sua própria justiça, cega, surda e falha.

E a lembrança de minha carniça no campo de batalha.

 

17/11/2019

 
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