[Sobrevivi às mortes de sucessivas causas]

Charles Burck


Sobrevivi às mortes de sucessivas causas

O bem maior me esticando os musculoso, o dom de dar e ceder quebrando os ossos

Os olhos nunca reclamaram das dores no peito

E em muitas vezes eu me vi crescendo do meio do nada

Azul do céu se pinta de novo, novos tons para suplantar a mesquinhez dos homens,

Na moldura de prata pus os meus pecados sem lástimas

E me fiz mulher sem homens por um único homem

E dela sofri as misérias, da dor, da fome e da saudade

E nas gavetas fechadas recorri aos sons da alma para ler as cartas

E dentro dos silêncios raros fiz poemas

E da minha natureza imposta para dentro pus em janelas de asas, os meus sonhos

E escrevi em papéis antigos desejos novos

Que amor se fez em frases infinitas doce e primitivo

E ainda me toma o torpor de saber-me mais feminina

Singular, nestes grande limbo de lamentos, de dor, e de medo

Ao soltar as amarras me fiz florir e ainda cantam os tempos de inocência no meu corpo

A reverberar nos seios as tuas mãos em ressonância.

Abraça-me para que mesmo presa e distante possa eu, ver-te e te amar melhor

Aos refinamentos de um tempo no mar dos olhos

Hoje sou entregas, sem renuncias e sem remorsos

 
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