[Quisera poder esquecer janeiro]

Lu Genez


Quisera poder esquecer janeiro

Com seus abstratos casos extra conjugais

Banalidades carnais, em gozo escorregadiço.

Qualquer coisa de se vender a alma

Em troca de um pouco do escuro.

 

Todos carregam dores de partida

A nascença parida entre sangue,

Do que se tem por obrigação.

Era só desamor, em canções de ninar.

Não curam ossos esfacelados na guerra,

Nem acabam com os pesadelos.

 

Carrego um corpo maltratado pelos homens

Foram tantos os castigos

Os olhos marcados do açoite,

Prazeres de maldade escarrada

Que não me deixam dormir

Fogem ao macio do travesseiro,

Me tomam além da normalidade das horas.

 

Quisera poder diluir janeiro

e todos os meses

e todas as cicatrizes

e todos os medos disfarçados de coragem

junto, às chuvas de verão.

 
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