Poesia: Barata Cichetto – Qual é a Diferença?

Barata Cichetto


Sou homem da rua, matemático, somo e subtraio,

Conto até cem e divido por dois, mas nunca traio.

Ando descalço, tenho pés sujos, e multiplico a dor,

Dois e dois são quatro, duplicando o multiplicador.

 

Diferença não faço, diferente só aquilo que restou,

E se a conta não bate é que sua caneta não prestou.

O primus interpares é um numero primo indigente,

Então qual a diferença entre o igual e o diferente?

 

Radical e radicando, duas vezes quatro igual a oito,

E a raiz quadrada de um é o resultado do seu coito.

Sou o impar, número bastardo elevado ao extremo,

E se existe um deus, é apenas um número supremo.

 

Tenho em mim uma diferença feita apenas de fatos,

Então calcule o tamanho dos pés, nunca dos sapatos.

Conclua o valor do meu pau em relação à sua vagina,

O resultado da conta nem sempre é o que se imagina.

 

Meça a distância, calcule a rota, compre a passagem,

E deixe o motorista carregar o peso da sua bagagem.

Calcule o quadrado dos catetos, some à hipotenusa,

Num teorema sem nexo nem sexo, que ninguém usa.

 

Tire a prova dos nove, faça a prova real, fique sentada,

Enquanto a matemática do tempo lhe dá uma dentada.

Não faça a conta, apenas faça de conta que quer sofrer,

E esqueça o caderno em cima da cama antes de morrer.

 

02/03/2020

 
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