Poesia: Lu Genez – [Por que meu pai não me ensinou sobre ter dentes brancos]

Por que meu pai não me ensinou sobre ter  dentes brancos,

Construídos em bandejas de caviar, ou qualquer iguaria de paladar duvidoso

Eles são bem vindos em majestosas salas de estar

Abrem as portas celestiais dos paraísos pagãos.

 

O hálito limpo, em tons mentolados parecem ter direito aos pecados

Nada é mais nobre do que uma boca com 32 dentes de brancura invejável

Eles são dignos das infâmias e das mentiras de cores padrão.

Nada é tão vermelho quanto ao sangue, que escorre lentamente das feridas abertas.

Tudo que vem de uma boca de dentes brancos, é plausível ao amanhecer.

 

Já perdida a naturalidade branca, de minha arcada dentária,

Que nos reste algo de limpo, de branco impecável,

para demonstrações filosóficas de pureza virginal

Talvez, só os ossos, me sirvam de salvo conduto a miséria das ruas

Nada mais é branco no espelho dos dias.

Lu Genez, Curitiba – PR
Curitibana, divorciada, aposentada, 52 anos, sem filhos, dois cachorros e com um monte de história por escrever. Bacharel em Ciências Econômicas e ex bancária. Responsável pela coluna Êxtase no blog Oceano Noturno de Letras e com participação em 04 antologias poéticas, todas publicadas pela INDE. Textos selecionados pela Editora Marginal – Liberty Agridoce e Revista Literária Travessa em Três Tempos.

 
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