[Passa-se a vida por seus muitos fins]

Lu Genez


Passa-se a vida por seus muitos fins
É mais sobre a morte inevitável das esperas
Breves amputações de pequenos membros
Que só doem, em suas inconveniências de sexta feira
E te fazem seguir adiante,
Amputada, diferente, insurgente.
Com dentes a se mostrar ao espelho
Mesmo que por uma brevidade de tempo
Um lapso no ocaso dos dias de vento.

Um vidro colorido, transparente
De se ver borboletas azuis do lado de lá.

Passa-se a vida por outros finais
Semáforos instalados nas muitas esquinas
É mais sobre as decisões das direções
E as ruas que deixamos de passar.

Há sempre uma parte perdida nas escolhas.

Desistir das lutas impróprias, infrutíferas
Das provações de ser, de ter, de estar.
Um canto e um ninho, bastam para se descansar os ossos.
Renascer semente, germinar.

Um vidro colorido, transparente
De se ver lua, nua, lúcida

do lado de cá.

07\03\20

 
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