[Para se ter perdão, algo tem que morrer]

Lu Genez


Já eu, que morri tantas vezes sem que me houvesse o oferecimento do gozo,

Ou de um canto fúnebre, magistral, glorioso.

Só o som oco, do silêncio indecente das minhas covardias.

Sem me encontrar em nenhum outro lado diferente, senão pisando no solo dos meus infernos.

Aqui,

Estática, retumbante, catatônica.

Um sepultamento ao sol do meio dia, ao meio da tarde de um dia sem data, andarilha.

Sem despedidas lamuriosas cuspidas em ataúdes de barro ornamentados

Nem a presença dos nobres entusiastas, vibrando o chão das minhas partidas.

Os lenços de aceno guardados, ignorando as lágrimas furtivas de ninguém.

Sempre eu e mais uma morte minha.

Insistente.

Não havia nenhum céu de espera, só o emaranhado negro, berrando obscenidades e erros.

Sempre eu, mais uma de minhas mortes e o espelho.

Nem o coveiro, a se prestar ao trabalho da terra.

Nenhum empalhamento que mantivesse os mesmos olhos, mas também, nenhum olho é mais o mesmo,

Há algo de opaco nessa morte minha,

nem a pele intacta e enrijecida. Só morta.

Tantas versões de mim vieram a óbito

Já eu, que sobrevivi a eles todos

Me perdôo mais que ontem.

 
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