[Omissão criminosa sentada]

Lu Genez


Omissão criminosa sentada sobre o limo de um muro frio de indiferenças
Enquanto a fala não passa de bravata, de coisa barata
Que se diz a plateia, plebeia, que engole tudo, que engole a seco, que engole na goela
Que é gado amansado, marcado, que anda em fila de espera, em direção ao matadouro.

Omissão inescrupulosa que cala, que assente, sobre as mentiras contadas

Propagandas de tv, anúncios de paraísos comprados, pelas fés fedidas
Que se engana o olho, que vê o tiro, que mata a vizinha do 5o. Andar.
que não salva o filho.


O assombro a céu aberto, correndo nas vielas, nas favelas , na avenida principal
Sem fazer vento nem barulho nas vidraças
Enquanto as janelas sujas das teias de aranha, engasgam verdades de prateleiras
E, nas gavetas, o manchado dos segredos, dos negócios, da propina e do homicídio na esquina
Sequer uma nota de jornal .

E o braço que não se revolta,  que toma um lado, que fecha a boca,
Se veste de atentado ao pudor, se reveste de injustiça
E o carnaval segue nas ruas de Olinda,

O rei momo coroado, burlesco, obeso, obcecado,

O riso histérico da fidalguia

E a música não pode parar,
Enquanto toda essa gente santa, samba, dança
Grita aos céus, o refrão da trova, a tropa avança.

Resta-me um pouco de poesia
Uma fala pequena, indigna.
Um grito.

 
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Francisco Cavalcante

A mordaça do consumismo, a obrigação de ser servil, o gado tateia o pasto no escuro das ilusões, enquanto não abre seus olhos e se vê cercado por todos os lados, nesse arame farpado entre as multidões. Parabéns pela poesia, pois a mesma nos aponta uma forma de pensar no sistema como uma prisão.

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