Crônica: Barata Cichetto – O Suicídio Metafórico de Barata Cichetto

Barata Cichetto

 – FUNDADOR 

Meu suicídio sempre foi e sempre será metafórico, minhas metáforas sempre serão suicidas, com algum toque adicional de homicídio. Sou perigo aos que cercam, aos que me cercam, e que de alguma forma fabricam cercas. Acerca de mim, apenas eu, o que comete diariamente suicídios metafóricos e metáforas suicidas. O que me cerca não é a cerca, nem a seca. O que me cerca é a beira, e a eira, a esteira de praia e os ratos de esgoto. Baratas são duras de roer, cascadura, cascudas e pontiagudas. Morri na mesma época que nasceu a estupidez mundial. Meu suicídio é metafórico e alegórico, metafísico e alérgico, metástico e estático, metálico e anárquico. Sou osso duro de roer, mas rôo até os ossos, mesmo que sejam os meus. São teus meus castigos, são meus meus perigos. E não somos mais amigos. Estou sempre a perigo, mesmo que são, e mesmo que salvo, sou alvo e mesmo que alvo estou salvo. Não há mais perigo quando se morre. Agora vou me deitar. Quem sabe eu morra antes de acordar, ou acorde antes de morrer. Corra, que ainda dá tempo de me socorrer. Morra, que ainda dá tempo de me matar. Ainda há tempo de me suicidar.


14/05/2019

 
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