Poesia: Barata Cichetto – Novecentos e Noventa e Nove

Barata Cichetto

 

Ontem calculei o final da minha saga, feito um conquistador,

Que nada além de desertos e de desgraças foi o despertador.

Termino aos sessenta o que comecei aos quinze sem piedade,

Concluindo que em mim existe algo muito além da maldade.

 

Carreguei quase mil, nas costas magras de um quase aborto,

E foram tantos poemas que pelo peso me sinto quase morto.

Novecentos e noventa e nove é um bom número para se parar,

E em dois mil e dezenove, nada mais da poesia tenho a esperar.

 

Aos meus filhos, que esperam de mim que eu seja esquecido,

Digo apenas que fui sem ser, e também fui sem nunca ter ido,

E também às megeras que dela se fartaram sem matar sua fome,

Apenas falo, porque falo é meu pinto e nunca foi o meu nome.

 

Sem eira nem beira pode um homem, mesmo um poeta, viver,

Mas sem esperança, neste mundo, nada pode ousar sobreviver.

E não espero que leiam o que foi escrito, ou que vivam por mim

Pois eu vivi outras vidas e agora todas elas chegaram ao seu fim.

 

28/04/2019

 
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