[Não me tenha]

Lu Genez


Não me tenha com esses olhos de inocência
Minha pele não é tão pura,
Sou mulher-lobo, fera felina faminta
Sofro de abstinências da carne
Um desejo imolado insensato abissal.
Qualquer coisa entre o Divino e o profano.
Moral de lençol branco, manchado de gozo,
De pecado inconfesso febril e úmido.


A santa tem pavor da volúpia, como se estivesse ao fio do pecado
Imola a mente, indecente incandescente
Delira montada nas coxas encharcadas.
Reza e se apodera do corpo
Confessa a tara, pede absolvição
se rende à fome, farta-se
Come saciada 
Até a gota última.


Sem pecado sem juízo
Sem rumor, sem pudor na língua
As veias dilatadas
e o gosto intoxicante do prazer

Diluído em todas as terminações nervosas, 
Orgasmo marginal amoral,

Natural ao cio.
A herege excomungada
Blasfema, desconjura, diz bobagens 
Urra ao seu homem, 
Enquanto o gozo escorregue entre as pernas.
Os lábios pecam.

 
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