Poesia: Barata Cichetto – Monstro

Barata Cichetto


Sou um monstro! Sim, repito, sou um monstro perverso

Com dentes maiores que as pobres rimas e do meu verso

Um malvado monstro a roer as entranhas da própria sina

E a vomitar sobre seu rosto aquilo que Freud não ensina.

 

Sim, sou monstro mau, de carne, sangue e muita bosta

Malvado feito a criança cuspindo naquilo que não gosta

E se sou um monstro, que te deve favores pelo não feito

Pago seu preço e regozijo com a sina de não ser perfeito.

 

Certo, sou monstro, por tal nome fui chamado anteontem

E se nunca fui belo e nunca o generoso, que me apontem

Aquele que ao contrário de mim não tem monstruosidade

E lhes mostrarei um ser monstruoso por sua animosidade.

 

E na ambiguidade da palavra, sinto-me monstro de fato

Na má formação da minha índole e nas formas de rato

Pois se sou uma hedionda, perversa e disforme criatura

Sou monstruoso ao lavrar em versos minha boa escritura.

 

E remorsos à parte, eu também a trataria de tal forma

Pois se é a monstruosidade a existência fora da norma

Fostes na vileza dos teus atos cínicos uma monstra também

E fomos ambos monstros insanos para a tristeza de alguém.

 

Mas agora, na monstruosidade do teu prazer me satisfaço

E na licenciosidade da tua luxuria da maldade me desfaço

Deixo de ser monstro e acabo sendo gigante por natureza

Certo que nas deformidades do ser há o sentido da beleza.

 

25/04/2015

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