Mais Um Causo

Charles Burck


Minha Santa Zeferina , qual é a minha sina, quem sou eu, quem eu sou?

Se purgo e não esvazio-me, não me salvarão as duas moedas sobre os olhos Se os porteiros de Dantes adormeceram sem previsao de retorno, escapou-me o paraíso Diz-me querida Santa, se fomos condenados antes de sermos concebidos por que não me deixaram dormido ao sabor do tempo e me enviaram sem ter aviso de que o sofrimento seria quem primeiro me teria atingido nesta terra Como se do demo parido, fosse eu filhou dileto de quem para ser assim espetado pelo tridente da vida, e o furo ser ungido Ah! Mãe concebida não quero ser eterno se for para viver assim a ferro e a fogo. O sal que curte o meu couro já chega aos ossos e a dor se renova a cada suspiro E a serpente escarrada ainda zomba de nós e assovia aos meus ouvidos tentações e deboches Quero uma trégua para vivenciar sabedorias, e apagar os meus desgostos, alguma que recrie paraíso, um templo de paz para recomeçarmos tudo de novo

 

 
Compartilhe
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
Assinar
Notificar
guest


Atenção: O espaço para comentários é destinado ao debate saudável de ideias. Não serão aceitas postagens com expressões inapropriadas ou agressões pessoais ao autor, a outro usuário ou a qualquer grupo ou indivíduo identificado. Caso isso ocorra, nos reservamos o direito de apagar o comentário para manter um ambiente respeitoso para a discussão.

 

0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários

Site Criado Por Barata Cichetto - (16) 99248-0091