Lu Genez – [Nunca saberemos tudo sobre uma pessoa]

Nunca saberemos tudo sobre uma pessoa,

Nem os olhos, nem os espelhos.

Há tanto de pele a mostra, poros, pelos,

E  a gota inevitável de suor ou do gozo,

que morre sempre, no final de um tecido limpo.

 

Há tanto dos segredos inomináveis,

Dos acasos das chuvas de agosto

Do breu e de suas marquises,

Desembocando em bueiros sujos.

 

Há tanto de íntimo no cheiro do hálito de sua boca.

Já conheço o gosto da língua e dos seus pecados carnais.

 

O céu e o inferno, vivendo nos mesmos ossos

Penitentes, juízes e pecadores

E, a reza do final da noite

Junto das estrelas que estão longe demais.

 

O escuro é um lugar por trás dos seus olhos.

 

O silêncio, por vezes, é travo na garganta,

Um nódulo seco, sem nexo,

Um som inaudível, debaixo do barulho da cidade.

Atravessamos sozinhos as esquinas do bairro

Não se demora a chegar nos becos,

Onde as saídas, são caminhos difíceis da volta.

 

Já é final da primavera,

Talvez, amanhã, ainda se tenha vestígios de sol.

Lu Genez, Curitiba – PR
Curitibana, divorciada, aposentada, 52 anos, sem filhos, dois cachorros e com um monte de história por escrever. Bacharel em Ciências Econômicas e ex bancária. Responsável pela coluna Êxtase no blog Oceano Noturno de Letras e com participação em 04 antologias poéticas, todas publicadas pela INDE. Textos selecionados pela Editora Marginal – Liberty Agridoce e Revista Literária Travessa em Três Tempos.

 
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