Lu Genez – [Há um barulho ensurdecedor nas águas barrentas de um rio]

Há um barulho ensurdecedor nas águas barrentas de um rio

Na revolta ao longo do caminho das cordilheiras

No que se mistura ao que nasceu límpido na sua foz,

E depois se turva, se carrega opaco, se mancha de vermelho

Arrasta os vestígios das almas dos peixes mortos.

 

Há tanto de inquieto na revoada dos pássaros

Que buscam os subterfúgios perfeitos nas correntes de ar,

Para escapar da fome e das estações de frio.

Há muito de incerto na construção dos ninhos

Nas asas da liberdade, se carregam os pesos de uma vida.

 

Há desassossego em meu corpo, antes de se chocar ao seu

Uma pressa, uma sede de calor, uma fome intranquila

Que só finda nas umidades escorridas, no gozo leitoso.

Teu peito aberto, a receber o descanso dos meus seios

Depois do silêncio da pele.

 

Há uma crueldade simbólica no por do sol

Que exige dos olhos, contemplação

Enquanto a vida escorre nas esquinas e becos escuros.

Perde-sem as horas do encanto.

Lu Genez, Curitiba – PR
Curitibana, divorciada, aposentada, 52 anos, sem filhos, dois cachorros e com um monte de história por escrever. Bacharel em Ciências Econômicas e ex bancária. Responsável pela coluna Êxtase no blog Oceano Noturno de Letras e com participação em 04 antologias poéticas, todas publicadas pela INDE. Textos selecionados pela Editora Marginal – Liberty Agridoce e Revista Literária Travessa em Três Tempos.

 
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