Ibrahim Khouri – Avanço e Retrocesso (7)

… Venha! Não vamos compactuar desta desgraça, não nos misturemos a maldita fumaça, da ambição, do desamor, na falsas metas. Fecharam todos os acessos, os maus “gestores ” não querem o avanço, levam o País e os trabalhadores, à fome, ao Retrocesso, querem que andemos pelo seu caminho, cresceu mato na estrada certa. O que será desta e da nova geração?  ― Não sei…Estamos na mais profunda decadência… E de que vale o lamento se o mundo é surdo? Se agora só se ouve ideias socialistas dos comunistas oportunistas, inescrupulosos, sem visão? Que nunca defenderam o povo, tão pouco a Natureza e dizem que vão salvar a Nação… Choram os habitantes do mundo, porque no fundo, estas pessoas são como areia movediça, um pantanal inacessível, em forma de oásis, cujas palavras superficiais, que pintam um quadro de beleza aparente, onde escondem o veneno mortal como as presas das serpentes. Chora o dia nesta manhã chuvosa e fria, o Balconista serve-me um café, outros comem lanches bem reforçados, outros compram, pão, leite, presunto, manteiga, salaminho é um entra e sai constantes de pessoas bem arrumadas, mas de repente, entram próximo ao café, dois garotos magros, descalços, rasgados, reviram o cesto do lixo e retiram pedaços de lanches, repartem e começam a comer. O gerente sai do balcão e grita: ― Fora! Vão embora, sai… Os garotos jogam o cesto e o lixo se esparrama pelo chão. O gerente sai até a calçada em perseguição e Grita:  ― Fora daqui seus trombadinhas, os dois, fazendo malabarismo entre o carros, atravessam a rua e gritam: ― Vai tomar no cú, velho filha da puta… O café esfriou e eu fiquei olhando a rua engolindo a imagem daqueles dois garotos sob uma garoa fina, a procura do que comer. Nasce um poema – Surpresas – Surpreende-me o frio da manhã, um sol brilhando sacana, surpreendeu-me a chuva miúda e o temporal da semana; Surpreendeu-me até a “Mary” , outrora era a simples Maria, como vê não foi só o tempo que muda, hoje até a pessoa varia… ― Surpresas ―  Tudo vai mal e ninguém pra fazer um protesto, é comum ver-se nas ruas, crianças comendo resto e a gente que é “normal’ que não chegamos, ainda à loucura, vamos nos petrificando… Somos anormais em miniatura…

 

Continua…

Ibrahim Khouri, poeta, escritor. Guarulhos – SP

 
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