Ibrahim Khouri – Avanço e Retrocesso (5)

Ah, do Paraíso da vida interiorana, triste regresso, deixei um lugar onde tudo era tão verdade, para encarar a Metrópole, com suas Armadilhas, esquivanças e falsidade… Que triste Regresso, ao invés de uma vida tão simples, tão pura a esta envoltas em Avanços e Retrocessos. Agora é noite, e, dela… Trocaram todo o cenário, foi embora os Patrões já falidos…e com fome, foi embora o operário… Que tristeza! É noite…  Desculpe, estou chorando… Desapareceu o crepúsculo, as pessoas agitadas, o encanto do eterno vai-e-vem, agora tudo é mentira, acabou, de vez a verdade, ninguém fala mais com ninguém, e nos olhares tristonhos não se enxerga mais nenhum sonho… Esta é a triste realidade… É Noite, ” Os gatos são Pardos” confundem-se humanos e bichos, acorda a boca do Luxo, desperta a boca do lixo, e, não dorme a Cracolândia, ferida no coração da cidade, roubando os bens das pessoas, roubando nossa dignidade. É noite… O governo fareja a rua como se fosse um cão, levanta o focinho pro ar… Mas o que será que procura? No meio do povo… O que Caça com armas na mão. Porque a desculpa antiga? É clara a intimidação… É noite… O escuro esconde a vergonha, e abafa os gemidos de fome, de gente, no chão, dormindo abraçadas, sem ter um pedaço de pão… É noite… Mas nas casas dos infiéis, há peixes nos lagos particulares nos jardins da casa dos Hamans, onde as taças cheias de sangue, na suja riqueza do mangue, tilintam nas festas dos satãs. É noite… Eles consomem o que resta, mas há de terminar esta satânica festa, onde cada gota derramada da taça é dos nossos sonhos, e a razão dos nossos ais. Eles não se importam com os que morreram nas praças, nem nas portas dos Hospitais, todo ao preço de trinta dinheiros, que pra fazer bocas mudas, abrem aos filisteus os celeiros. Conhecemos, de vez, todos Judas… É noite…Os luminosos estão em silêncio, já não falam em vários idiomas, e ninguém quer saber quem é quem, não importa se a Maria é homem, se o miserável, cansado, morre de fome, vamos consumindo a migalha que resta, enquanto eles consomem tudo que tem. É noite… – e neste teatro de horror, “os atores” mudaram o cenário… Foi embora o Empresário Falido e amassado, foi o operário…

Continua…

Ibrahim Khouri, poeta, escritor. Guarulhos – SP

 
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Aureo Alessandri

Essa série está demais !

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