Histórias Que Minha Avó Não Contava

Barata Cichetto


Ontem a noite encontrei um anjo numa praça

Era torto, manco e nem tinha asas, a desgraça

Aliás nem era eunuco e tinha forma feminina

E embora fosse idosa tinha o jeito de menina.

 

Disse não ser barroco e que nem tinha caído

E que como um anjo sua mãe a tinha parido

Um querubim com desejo e humana criatura

Que tinha medo de mim e de minha estatura.

 

Era muda o meu anjo, e surda feito um santo

E anjos calados são perigosos, conta um canto

Ela me beijou e depois segurou a minha mão

E se aquilo era o seu sim, para mim era o não.

 

Mas não se pode negar aos anjos um pedido

E eu sabia que muito cedo seria surpreendido

Então rolamos na grama, eu, o anjo e o prazer

Pois trepar era tudo o que nós podíamos fazer.

 

E tão logo fez-se o gozo, por entre as flores

Desapareceu o anjo, deixando fartos odores

E eu inerte e tonto feito um doente terminal

Pensei sobre ser ela outra espécie de animal.

 

Seria um anjo com quem eu tinha fornicado

Portanto estaria preso a um imenso pecado

Mas sem ser anjo, mentira era o que sobrava

Nas histórias que minha avó não me contava.

 

16/06/205

 
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