Poesia: Barata Cichetto – Factótum (Ou Crônica de Um Amor Louco)

Barata Cichetto

 

Parte 1

 

Acordo! São seis da manhã e não dormi direito

Um misto de vontade de foder com dor no peito

Minha mulher dorme despreocupada e pelada

E nem tenho dinheiro para uma cerveja gelada.

 

Leio o “Factótum” e fico com vontade de vomitar

Bato uma punheta tentando uma trepada imitar

Vejo filmes pornôs no computador as escondidas

E volto a vomitar com aquelas atrizes encardidas.

 

Há tempos não batia punheta e a ereção demora

E quando penso nas putas que fodem a essa hora

E nos gemidos de donas de casa sendo mal fodidas

Chego a conclusão que sou o rei das arrependidas.

 

Depois da cagada fedendo restos de Cynar gelado

Tomo um banho e bato outra punheta ainda pelado

E ela continua dormindo e preciso foder sua vagina

Ainda sei de coisas de foder que ela sequer imagina.

 

As seis e trinta tento trabalhar num poema imundo

Penso em coisas desonestas, nas putarias do mundo

E a conclusão é que não há o que falar nesse horário

Em que trabalhadores se apertam no trem mercenário.

 

A poesia não sai, o pinto não sobe e ela dorme dopada

O café causa náuseas e minha testa de suor ensopada

Nem punheta e nem trabalho, foder é que me consome

Mas eu não posso comer um rabo enquanto ele dorme.

 

Acorda que eu quero te comer, minha buceta decente

O sol lá fora derrete e eu queimo por dentro indecente

São horas de trabalhar, horário de me dar sua bunda

Deixe a preguiça aos trabalhadores, cara vagabunda!

 

Sete e tanto agora, quase oito sendo certo no horário

E penso que poderia ser de novo o poeta escriturário

Pegando o ônibus lotado e chegando cedo ao trabalho

Mas agora só consigo pensar onde enfiar meu caralho.

 

 

 

Parte 2

 

Chinaski está morto, Charles o matou antes de morrer

Não sei se ando até a esquina ou deixo a vida escorrer

Ainda tem tenho tempo de pensar em bundas tatuadas

E contar nos dedos as fodas em analfabetas tabuadas.

 

Acorda, vadia, escova seus dentes e chupa meu pinto

Que são mais de nove horas e as pernas eu não sinto

Toma teu leite com café, pão, manteiga e minha pica

Que sabes que a paixão de pinto é aquela que te fica.

 

Do quarto um peido e de quatro a vadia peida fedido

E eu querendo comer aquele cu, e o pau arrependido

Mas mesmo com restos de bostas, o rabo quero foder

Pois comer uma bunda é quase instrumento de poder.

 

Que merda de escritor sou que não como aos leitores

E lembro que não há quem possa ler fracos escritores

Mas já são dez e pouco e o desespero me toma conta

Pensando que o relógio apenas a hora do fim aponta.

 

E tomo na mão novamente o livro, Bukowski maldito

Como poderia saber de antemão aquilo que acredito?

Degradado, velho tosco, bêbado safado, desapareça

Que não sou das tuas crias por mais que me pareça.

 

Onze agora, e pela janela um cachorro me observa

Abana o rabo e é honesto o sentimento que reserva

E a cadela ainda dorme enquanto a caravana parte

Não sei se lhe dou uma porrada ou morro de infarte.

 

Sinto o estômago roncar, mas não há fome de fato

Perto do meio-dia, dorme a vadia e olho seu retrato

Tento bater outra punheta, mas a imagem é antiga

E não tem graça bater punheta pensando em amiga.

 

Horário de almoço e ela ainda dormindo na escuridão

Não sei se amaldiçoo seu sono ou beijo minha solidão

Acabou meu cigarro, a paciência se foi com a fumaça

Vou sair e ver se na padaria me desfaço da desgraça.

 

 

Parte 3

 

Na padaria tem apenas pão e a balconista horrorosa

Ela usa óculos estranhos, mas a bunda é bem gostosa

Mas não quero nem a bunda e nem pão, só o balcão

Quero bebida de homem e dispenso a comida do cão.

 

Desce quente, queima a goela beber Cynar em jejum

E a bunda que olha minha cara de safado ou bebum

O pão na cesta nem liga e no fundo do copo há chuva

Penso naquela buceta dormindo com a mão na vulva.

 

São três da tarde e meu caminho ficou longo e torto

Pernas estranhas essas que parecem as de um morto

Mas elas conhecem ao caminho e sempre conseguem

E ao menos que eu não queira ou a ele me reneguem.

 

Há silêncio e há fedor no ar, merda de gatos e urina

Mas onde anda aquela infeliz e sua deliciosa vagina?

Busco e não encontro, outro dia sem meter o caralho

E não sei se volto à padaria ou me sento e trabalho.

 

Ontem, mas isso foi ontem, não teve janta nem buceta

Por isso dormi com fome e nem bati nenhuma punheta

É difícil se masturbar com raiva, penso afinal de contas

Com raiva não se pensa sequer em velhas putas tontas.

 

As quatro resta apenas dormir, bêbado e com vontade

E lembrar do que chamam de cu e sua imensa verdade

Mas se a insônia bater e nem a bebida amortecer a dor

Penso que existe apenas merda no rabo do imperador.

 

Volto a lembranças antigas e penso em Chinaski no bar

Lembro da lésbica, da crente e da nazista, falta acabar

Sei que nenhuma esperança há d’eu não morrer sozinho

Então resta é deitar e esperar foder a mulher do vizinho.

 

E a bunda não chega, a bunda não vem e o caralho dói

Mas pouca gente sabe que é a pica que o mundo destrói

E não serei eu a destruir o mundo por causa de vagina

Mesmo por uma que seja tão boa que ninguém imagina.

 

Parte 4

 

Foda-se! Seis da tarde e acordei com a ressaca maldita

Penso se volto a padaria, como pão e a bunda esquisita

E na hipótese da fome, bebida é alternativa gratificante

Sem comer nem foder não passo outra noite alucinante.

 

Seis e cinco! Indeciso entre a porta da rua ou banheiro

Mas uma de graça, quanto a outra preciso de dinheiro

Em uma o prazer da punheta, n’outra apenas maldição

Que merda é viver sempre em uma eterna contradição.

 

Seis e dez. Conto moedas roubadas do cofre de metal

O suficiente para uma dose, um pão e algo mais letal

Não existes saída nem choro se a verdade é eminente

Então foda-se, que o melhor é morrer a ser indiferente.

 

Seis e alguma coisa! Nem quero mais saber das horas

E danem-se os relógios, danem-se a bunda e os agoras

Jogo o telefone, o relógio e meus sapatos no rio imundo

E a partir de agora dane-se a dama e viva o vagabundo.

 

 

Parte 5

 

Um ancião maldito e seu tolo andador altruísta

A morte é de decerto um ser vingativo e egoísta

Que se vinga dos vivos, deixando viva a maldade

E carregando aos artistas nos deixando saudade.

 

Mas foda-se o velho desalmado e foda-se sua muleta

Pois não penso em nada a não ser foder uma buceta

Se há três dias que não trepo e a morte não se detém

E antes que esqueça, três dias sem um rabo também.

 

 

Parte 6

 

Tanto tempo que não batia uma punheta tão gostosa

Que não lembrava qual das mãos era mais poderosa

A esquerda e a direita, são duas putas sem piedade

Espremendo meu pinto como uma irmã de caridade.

 

Cago e sento na cama para uma punheta lazarenta

E no lençol deixo uma mancha marrom e fedorenta

Vingança é um doce prazer quando se é o vingador

Mas na minha lambança o que importa é a sua dor.

 

Parte 7

 

Mas depois de amanhã é feriado, Dia do Trabalho

E eu ando preocupado onde enfiar o meu caralho

Morrer sem foder em feriado nacional é criminoso

Alguém comunica a vadia que meu pau é perigoso.

 

Então, não sei quanto tempo falta para enlouquecer

Tem pouco tempo para eu lembrar de me esquecer

Punheta enlouquece um homem, buceta é o remédio

Mas então vou foder uma doutora, trepar no prédio.

 

Há três dias que não uso cueca com intenção escusa

O fundo das calças deve estar cheio de bosta reclusa

Uma emergência requer atos desesperados, eu penso

E o pau balançando dentro das calças é algo extenso.

 

Uma foda que apareça no meio da rua ou no matagal

É coisa que imagino que seja certo, dentro do normal

E aquela vadia infeliz, finge que ama meu pinto duro

Mas entre paixão e poesia, fico com aquilo que é puro.

 

Parte 8

 

Há um traficante negro magricelo parado na esquina

E ele me oferece maconha e uma carreira de cocaína

Recuso sua porcaria e digo que quero foder gratuito

Mas ele disfarça e acha engraçado meu riso fortuito.

 

Insiste na droga e eu em sexo, quase nos entendemos

Mas decerto nos nossos vícios nós dois nos perdemos

Ele percebe minha fúria e oferece a irmã caçula virgem

Que de perto parece uma velha, e isso me dá vertigem.

 

Traficamos nossas merdas e nos enchemos de dinheiro

E agora não sobra nada de mim que seja companheiro

Há morte em meus olhos e nenhum resto de esperança

Tem horas que sobra apenas dançar conforme a dança.

 

Açúcar, beijos melosos e um par de pernas de barro

E a minha imagem no espelho é digna de um escarro

Sonhos vomitados na privada, creme de poesia azeda

E nada mais há que eu possa escrever e que não feda.

 

 

Parte 9

 

Comprei uma corrente de cachorro para uma cadela

Agora prendo na cerca e amarro a boca da tagarela

E se for pouco, que fique na chuva batendo o queixo

Até recordar os motivos que causaram meu desleixo.

 

Espere sem dormir, a noite foderei com força bruta

Arrancarei todos os líquidos espremendo feito fruta

E pouco lhe adiantará gritar, que paredes são cegas

Louco a te estuprar, tirando sangue das tuas pregas.

 

É sua última chance de ser uma puta sem pagamento

A ultima oportunidade de me livrar do meu tormento

Cedo apanho o caminho e não sei onde chegar ontem

A não ser o destino que as estrelas da noite apontem.

 

Te deixo a saudade dos meus dedos te fazendo jorrar

E a maldade e os segredos de em tua língua esporrar

Livro-te de meu jugo funesto e desato as tuas amarras

Mas em nome do mal estarás presa em minhas garras.

 

 

Parte 10

 

Quase seis da manhã de outro dia sórdido e indecente

Tinha a certeza de um desejo de uma era tão recente

O sol chega estuprando a noite com seu pau dourado

Estou trêmulo e bêbado de insônia, sou o fracassado.

 

Acreditar era minha religião, agora desacredito de mim

E o que não tinha começo, agora parece não ter um fim

Gelado, amaldiçoo o sol com seus raios malditos de luz

Quero um óculos escuros para ver se algo ainda reluz.

 

E enquanto ela dorme sem um rasgo sequer de vontade

Seguro meu pinto e penso o que será da minha vaidade

Penso nos medos secretos que essa escuridão carregam

E sinto que há mais segredos naqueles que se entregam.

 

Mas agora o anjo demolidor emerge das sombras turvas

É tempo de esquecer o sol e lembrar o tempo de chuvas

Faminto abro o refrigerador e só tem ovos congelados

Não sei se como os ovos crus ou se os frito estrelados.

 

 

Epílogo

 

Factótum: “E eu não conseguia ficar de pau duro.”

 

30/04/2015

 
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