Poesia: Renato Pittas – Esquizofrênicas

Renato Pittas

Tenho escrito.

com outras palavras

as mesmas notas de sempre,

repetindo em redundância

cenas do isolamento, então:

admiro sombras se moverem

entre as paredes da casa.

 

Não tento dizer o que não sei,

mais admito refletir sobre isso

inventando o verbo predecessor

de toda falácia que não direi.

 

Esqueço versos na memória,

palavras ditas ao vazio

 da intimidade que desmascara,

afirmando à vida

a negação de outras

formas de expressão;

levando em meio  a pandemias

demônios obsoletos

de outras eras, 

que não causam consternação,

em desesperança muda, 

perseguindo o silencio,

diluindo  fantasias

em cenas descritas

num quadro pré-posto

às crises que  assombram,

o que revela-se não trará

 as imagens de outrora,

agora, lançadas aos ventos

em uma retórica paranoica,

esquecidas em maledicências e

fantasias esquizoides, 

perdidas  infância à fora.

diluídas em descrenças e  falta de sono.

 

Pandemônios descritos

em notas falsas,

em desordem  confrontam-se.

Falanges antagônicas, debatem-se

em  conflitos ideológicos,

alimentando mistificadores

e discursos sobre a

pandemia que nos assola,

prometendo nos salvar do isolamento.

e das quarentenas emocionais.

 
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