Poesia: Lu Genez – [É só um medo, um cancro invisível que me come a carne]

Lu Genez

É só um medo, um cancro invisível que me come a carne

Vai correndo os meus dias.

Cresce lentamente, a cada piscar de olhos

Se alimenta dos ossos, do meu sangue vermelho, da minha sina de fim.

Se alimenta de mim, do meu cheiro, do meu suor pestilento.

Não sei mais rezar, nem pedir perdão.

 

É só um monstro, um algo espalhado sobre a pele

A epiderme leprosa, a espreitar-me à noite

Velar o pesadelo de hoje, cuidar para que eu sobreviva.

Para  encontrar-me amanhã nos seus agouros.

Não sei mais dormir, nem sonhar.

Tenho medo do espelho.

 

É só um fantasma, uma voz que me fala ao ouvido

Diz desvarios, me condena ao martírio,

Ao delírio, a esquizofrenia.

A correr sem fim, em busca de uma porta

De uma luz qualquer.

A saída desse labirinto.

Não sei mais ir, nem andar.

 

É só um caos, um escuro letal

Um desespero abafado

Um grito de socorro,

um eco, um oco,

Um vazio de tudo.

Uma parede, um concreto,

Um inseto, uma barata.

Um triste, esmagamento.

 
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