Poesia: Barata Cichetto – De Herói a Bandido

Barata Cichetto

 

Sente comigo, meu filho, que eu quero lhe contar,

A história que nenhuma criança poderia escutar,

Mas que é meu direito, por querer que aprenda,

Que há injustiça, mesmo que dela se arrependa.

Trocamos de uniforme, eu, o herói e o bandido,

E agora ninguém conhece o rosto do pervertido.

 

Agora digo, que antes de ser o pai quis ser o filho,

E antes de embarcar no trem aprendi a ver o trilho.

De aço é o trem, mas de madeira é feito o dormente,

A força não é poder, mas o que suporta a sua mente.

Sempre minhas foram as perdas e fracassos sofridos,

Pobres dos que morrem pelas mãos de arrependidos.

 

Minhas costas ainda ardem por ripas estilhaçadas,

Arqueadas com o peso das piadas não engraçadas.

Há um bandido em cada rua, heróis que não fomos,

A diferença entre ser o herói ou vilão é o que somos.

E se nunca fui o que queria, se nunca fui por ter sido,

Foi crescer sem querer, sem nunca querer ter nascido.

 

Muitas foram as perdas, os prejuízos e os altos custos,

São doentes as frutas das árvores podres dos injustos.

E se quis ser criança, e um pai que decerto errei ao ser,

Não foi vingança, mas por não ter o direito de crescer.

Morta minha esperança, e mortos os heróis desiludidos,

Pobres as crianças que dormem nos colos dos bandidos.

 

Refrão:

Entre capas e tapas heróis e bandidos se confundem,

Até que nos mares profundos da morte nos afundem.

 

02/09/2019

 
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