Poesia: Barata Cichetto – Chorumen

Barata Cichetto


Há tempos que não sinto na língua o gosto adocicado da morte

Supre-me de sabor o salgado do sangue a escorrer do teu corte

E sem morrer a muito tempo, lembro ainda do quer era falecer

Tempo em que o morrer era minha única forma de envelhecer.

 

E há tempos não sinto o gosto amargo da bebida na garganta

Um entorpecimento que rouba meus sentidos e nada adianta

Sem beber estou morto com a cabeça girando numa alucinação

E sem perceber, aperto o gatilho da minha própria condenação.

 

O que ser? Ainda penso dias antes do meu próximo aniversário

Quando nunca fui aquilo que desejou o meu ultimo adversário?

E se agora, depois da bebida e de chupar sua buceta salgada

Te deixar feliz e sonolenta a dormir sobre uma cama alagada?

 

E se da morte doce junto com o salgado do teu jorro eu beber

Terei descoberto entre todos os alquimistas o néctar do saber

E na sapiência da terra ao derramar um chorumem necrológico

Decerto estarei sereno e líquido, ser humano completo e ilógico.

 

25/04/2015

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