Poesia: Lu Genez – [Canibais de nós mesmos]

Lu Genez

– MEMBRO FUNDADOR

“canibais de nós mesmos

Antes que a terra nos coma

Cem gramas, cem dramas”

 

 

Mais de um bilhão de votos, 

O anunciado cadavérico de nossa vã futilidade 

Fenômeno escancarado em decibéis

Aos quatro cantos daqui, em jornal nacional.

Sucumbiremos às pragas todas, paulatinamente,

a essa e as outras.

Não há justificativas plausíveis para riso bobo.

Só as hienas deveriam ser os carnívoros incompreendidos

No mundo animal.

 

A pobreza esmorecida, decadente

Regurgitada em tapetes velhos

Atestando em cartório, com firma reconhecida 

A total falta de sensatez desses homens

Que só tem umbigos narcísicos

Reconstituídos em clínicas de estética.

Ninguém liga para os nomes do obituário.

 

As portas do paraíso foram fechadas

A curto prazo morreremos todos, 

No ridículo cercado dos olhos

Diante de um programa de TV.

Qual a medida da reza

Se as mãos largam suja a louça do jantar,

As dispensas infectadas das sobras

Servem ao banquete dos ratos.

 

Mais de um bilhão de votos

E eu ainda não entendo,

Sigo perdida.

 
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