Às moças (uma homenagem ao poeta argentino Oliverio Girondo)

Charles Burck

 – MEMBRO FUNDADOR

Às moças que deixam escapar os brilhos das pupilas como faísca buscando o fogo

As que têm sorrisos doces, mascarados de pimenta e malicias, a língua vibra indo do céu à boca

As que prendem as pernas para não escaparem as borboletas, as de asas roxas, prontas a voar sob a luz noturna

As que volteiam sobre as flores, deixando escapar perfumes seus, os que florescem nos jardins do ventre e adjacências, 

 

 

Às das ligas e rendas, dos bordados nas pontas das unhas, dos seios que falam em aconchegos e os dedilhados dos dedos de tantas coisas outras

Às que se misturam às noites, em véus e formas, os mamilos que salpicam pontilhados de fatalidades, aos arrepios que ejaculam entre estrelas os bicos eriçados

Às que se enroscam como deusas do serpentário, no tronco enlaçando a maçã da fome escarnada, se lambuza no leite do pecado,

Mas que pecado que nada, se o vestido da pureza despido da moça, desassombreia qualquer sombra de mácula, e das ancas acanhadas ou fartas, o paraíso se mostrar, 

E Adão que ainda condena Eva, mas a cada noite que prova da fruta e goza os seus pecados 

Oliverio Girondo
 
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