[Apaguem o dia porque a noite quer gozar]

Charles Burck


Apaguem o dia porque a noite quer gozar

 

Defino esses olhos todos, famintos como os de um cão sem dono

 

A lamber a escuridão com o olfato no sentido do prazer dos toques,

 

E eu só sei da boca aberta a devorar cada capricho meu

 

Há no sonho duas mulheres e um homem no meio

 

Via nas cartas, flores nascendo aos seus pés

 

Três generosos loucos fascinados a sentarem-se lado a lado

 

E tratam os assuntos mal resolvidos pelas vias de fato, Com as borrachas nas mãos apagam os mal ditos

 

Escrevem nos lençóis coisas tão descabidas, dizendo serem poemas

 

Medem os impulsos, o ritmo e as excitações Os estímulos transcendentes aos sentidos compõem um palco ilimitado e fértil O que salta do coração vaza na língua e abrem-se as defesas,

 

Por certos desacatos se experimentam, de olhos fechados

 

Não desejam conselhos

 

Os três numa união mais que perfeita,

 

Onde o amor se cala e não mete o bedelho

 
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