Poesia: Barata Cichetto – Anjo Inseguro

Barata Cichetto

 – FUNDADOR 

Entrou um anjo pela minha janela, e eu lhe disse: “Vai se foder!”

E ele, vadio e quase gritando me disse: “Sou anjo e tenho poder.”

Então eu lhe perguntei: “Onde estão suas asas, criatura depenada?”

E o anjo quase gritou que não era um pássaro, nem alma penada,

E que se não fosse anjo, qual seria então sua real profissão?

Pois nem ele mesmo tinha idéia qual seria sua nobre missão.

 

Sim, era um anjo, decerto, mas nem ele sabia ao certo,

O lugar de onde vinha, e se era longe ou se era perto.

A noite mal dormira, e ele me pediu uma cerveja gelada,

E depois quis saber onde era o lugar de mulher pelada.

Eu disse: “Vai se ferrar, anjo sacana, teu lugar é no Inferno”,

E o maldito ainda berrou que no Paraíso nada há de eterno.

 

Ainda bebendo cerveja o anjo inseguro olhou ao céu escuro,

E perguntou como voava o avião mesmo sendo tão impuro.

Então se virou, foi até a janela e saiu voando sem asas,

E eu fiquei olhando quando despencou sobre as casas.

O anjo morreu, e a notícia saiu até no telejornal da televisão,

Era uma fada, diziam, mas eu sabia que era o anjo da ilusão.

 

17/12/2019

 
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