[Ando cansada das rezas]

Lu Genez


Ando cansada das rezas
Meus ossos doem tanto
Quisera poder arrancar a pele, sem que sentisse nada,
Ter a carne entorpecida, catártica, amortecida
E qualquer rasgo me fosse inócuo
Simplesmente fosse,
Um nada.

Os dias  já me bateram demais
Parece que padeço, de pecados sem absolvição
As punições contínuas nesse cárcere
servem aos que se prestam pagãos.
Meu catre é duro e frio.

As feridas sempre latejam de manhã,
Lembram-me dos covardes e dos injustos.

Por fim, deitar meus ossos ao sol
Eles levam as minhas águas
Contém o que enchem os olhos,
As feridas conhecem a dor
Me ajudam a fingir que o céu é azul.

Ando cansada,
Para escrever poemas bonitos
Depositar fé nos homens, de que me fariam a verdade das balanças,
Mas que ao final,  se apoderam das malfadas esperanças
De uma retina, sem cor.

A fadiga é cantiga de ninar
Para continuar acreditando que na próxima esquina
Toda a sina, muda.

As horas são cinzas.

 
Compartilhe
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
Assinar
Notificar
guest


Atenção: O espaço para comentários é destinado ao debate saudável de ideias. Não serão aceitas postagens com expressões inapropriadas ou agressões pessoais ao autor, a outro usuário ou a qualquer grupo ou indivíduo identificado. Caso isso ocorra, nos reservamos o direito de apagar o comentário para manter um ambiente respeitoso para a discussão.

 

0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários

Site Criado Por Barata Cichetto - (16) 99248-0091