[A superfície sólida das coisas]

Lu Genez


A superfície sólida das coisas,
A obviedade das arestas pragmáticas
Insensíveis aos corpos.

Inservíveis a desmanches oportunistas

Das zonas mortas de conforto


Como dito popular, que explode na boca
Antes de mesmo de um senso
Da prática articulação das palavras
Um átimo, um átomo
Que sem cerimônia acontece
Fere, sangra, machuca.
pontas afiadas, sempre prontas ao corte
O deslize lento dentro da carne
O rasgo, o estrago, o desfeito.

Nasci escravo de muitos senhores
Todos juízes, desde os dias no ventre.

Donos das superfícies que ferem

Das palavras pontudas

Do chão em que deito e morro

 

Vestidas as armaduras da guerra
Tantas cabem num dia qualquer,
Há de se esperar pelos ares livres
Proteger os ossos dos ventos
De se libertar as nascenças e sinas.

Sinais dos amanheceres

Finais de uma escuridão.

 

25\Jul\20

 
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