Poesia: Barata Cichetto – A Puta e o Vagabundo

Barata Cichetto


Vagabundo! – Gritou a mulher do alto da escada de madeira

Enquanto jogava sobre mim o criado-mudo e a penteadeira

A piranha  segurava um chicote nas mãos e ria até se mijar

Numa risada cheia de sarcasmo que parecia um relinchar.

 

E eu, estirado nos degraus, sangrando e ossos quebrados

Ainda implorava por sua piedade, em pedidos redobrados

Mas a megera sorria, limpava os lábios e cuspia em mim

E no fundo eu sabia que ali estaria o começo do seu fim.

 

– Prostituta! – E outras palavras sórdidas, berradas a esmo

Eu já não me conhecia, e já não era eu nem mais o mesmo

Mas a tal maldita ainda tinha por seu ultimo gesto imoral

Enfiar o dedo na buceta e me oferecer seu liquido vaginal.

 

Mas eu tinha histórias para contar, ainda poderia sobreviver

Então contei-lhe minhas sinas e o que tinha feito para viver

E assim trepamos pelas próximas mil e uma noites que vieram

Lembrando verdades que vivemos e maldades que nos fizeram.

 

01/05/2015

 
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2 Comentários
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Smile Delacoeur

“Numa risada cheia de sarcasmo que parecia um relinchar.”
Muito bomm. Comentando pela 1ª vez.

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