[A pedra grifa na carne um arco de um deus]

Charles Burck


A pedra grifa na carne um arco de um deus subentendido E costuro aflito os vãos para que não me fuja o sangue bento Os conflitos dos homens com os homens matam o Deus ressurgido Os galhos pelados e áspero do outono estremecem os pensamentos Iniciada a colheita do trigo e do feno, os campos de centeio ondulam

 Sem pressentirem tempo difíceis

Na terra crescida entornam as uvas

A massa já está pronta.

O mundano acena-me

Sinais órfãos de linguagem e obsceno oferece o vinho em taças de cristais Os dedos molhado e enrugado Colhem nos seios uma colheita atrasada Das lacunas abertas o diagnostico protetor No purgatório admito o meu erro E o Deus diz-me que regresse e se esgote, só depois então, volte

 

Quando voamos alto a cidade perder as referências, os detalhes, as pequenas dores, A procissão apenas só pontos de luzes, as orações silenciam devido a distância, O santo abandona o andor para apreciar a vista do alto, Concentro minhas forças ao que foco os olhares perdidos, quero ajudar a mostrar os caminhos, almas sem rumos, sem céus e afastado do divino Afluentes de rios perdidos desde a nascente, sem chegar ao rio principal, A decadente saciedade, a fome burocratizada, formando linhas contenção de diretas aos corações aprisionados As garras da geometria que crescem proporcionais aos fatores de entregas Das torres mais altas resisto aos clamores do banal, da mesmice que mistura tudo como uma panqueca de mingau de farinha mofada, Os fantasmas participam da festa sem serem convidados, lambem os seios secos e as vulvas expostas, maquiadas de forma intima, a servir de face com sorrisos de boca aberta em pulsações De anúncios de portal rente às areias da praia, uma superfície quase plana, geológica, uma fenda engolindo o sol Recortava pequenos origamis em primeiro plano contra um fundo de céus escuro, mas a poética erótica se alastra feito aranha peluda, atrevida ao comer os machos, que mal têm tempo ao gozo Nem tudo passa de fingimentos, mas do alto o amor é uma verdade maior, asas espalhadas a observações de águias, à procura de algo que escape ao ordinário.

 
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