Poesia: Lu Genez – [A memória tem olhos envelhecidos]

Lu Genez

– MEMBRO FUNDADOR

A memória tem olhos envelhecidos

Contando estórias abstratas às paredes 

Cada qual uma reza, um canto, um conto

Dos anos idos, dos eus, de solidão.

Todo esse lugar sabe do meu nome.

 

Os ossos espalhados em bornal

destilando barulho impecável

Como um hino aos anjos

Rogando amanhã,

Na cama dos sonhos perdidos,

Mortos, ao cair do sol.

Todo esse chão sabe dos meus pés.

 

São tantas as tintas nesse branco

Que já não sei dizer se é cinza

Se a noite já chegou aqui,

Se o concreto se desfaz no tempo

Se a unha é capaz de riscar uma vida

Deixar uma nódoa fraca

Se pelo menos eu existisse ainda

Em algum olho teu.

 

A parede abstrata carrega esquecimentos

Não sabe de mim.

 

Não há mais poema no papel.

 
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