Pedra – “Pedra” e “Pedra (3)”

Compartilhe!

Barata Cichetto


Pedra – “Pedra”

Formado pelos ex-Patrulha do Espaço Xando Zupo, Luiz Domingues e Rodrigo Hid, a banda é bem nova, no máximo dois anos e nesse trabalho tenta juntar a experiência, o talento e criatividade. A experiência de Xando, o talento de Domingues e a criatividade de Hid. e até certo ponto o resultado é bom. Apenas bom! Em se da qualidade dos tratando dos músicos, sinceramente eu esperava mais. Na verdade não pude deixar de enxergar alí uma espécie de prorrogação de trabalho que Hid e Domingues vinham fazendo no Patrulha do Espaço, antes de pularem da nave. A primeira faixa “Sou Mais Feliz” é, tirando a bateria, pura Patrulha mas sem a mesma empolgação. “Vai Escutando” começa com o baixo de Domingues e a gente pensa que vai sair pancadaria, mas é apenas uma balada meio “Funkeada”. “Se Agora eu Pulo Fora” é uma boa faixa, algo que lembra, no instrumental bandas setentistas como Cream, West Bruce And Laing. “Me Chama na Hora”, desculpem, mas detestei. Parece “Another Brick in The Wall” tocada pelo Zeca Pagodinho. Meu, esse negócio de percussão, cuíca etc. em Rock é de matar! “Amanhã de Sonho”, uma balada romântica, para quem gosta delas. “O Dito Popular” é um Funk bem dançante… eta mistureba! “Madalena Rock’n’Roll” é uma faixa que sempre dá a impressão que é uma coisa que não é. “Reflexo Inverso” é entretanto bem interessante, com o teclado de Rodrigo predominado e vocais bem colocados e uma letra interessante. Ai começa outra boa música: “Misturo Tudo e Aplico”, com ótimo instrumental, com Xando e Rodrigo soltando a mão e o Trompete de Robson Luís dando um toque totalmente original. “Estrada” entretanto é bem bobinha. A faixa 11 “O Galo Já Cantou” é a última e então a gente começa achar que não escutou ainda nenhuma música excepcional e… É verdade. Afinal, acho que essas três feras poderiam ter rendido mais, ter algo acima da média. Mas eles são Pedra. E pedras rolam… Ou criam limbo.

Pedra (3) Pedra

Todas as pessoas, fatos e músicas merecem: uma segunda chance, uma segunda versão e uma segunda audição. Absolutamente e estritamente nesta ordem! É o específico caso da banda “Pedra” (Zando Zupo e Rodrigo Hid, Guitarras e Luiz Domingues, Baixo.
Como pessoas, principalmente músicos, os três merecem uma segunda chance. Como fato, o primeiro disco da banda merece uma segunda versão, no caso minha mesmo. E como música, o conteúdo do CD, com certeza merece uma segunda audição.

Quando publiquei a primeira resenha em A Barata, confesso, cai em uma armadilha idiota. Esperar que pelo histórico anterior dos músicos este trabalho fosse uma repetição, seria simples demais. Como os três foram integrantes, embora em épocas diferentes, da banda Patrulha do Espaço, era “confortável” achar que o trabalho da Pedra fosse uma espécie de continuação, seguindo a mesma linha musical… Foi ai que eu acabei tropeçando… Uma banda de Rock é uma banda de Rock… Apenas isso?

Não, não é bem assim. Ao menos no caso da Pedra não é! A sonoridade soa, à primeira audição, estranha a ouvidos roqueiros. Misturas e tendências musicais distintas e opostas. Toques de Funk, Soul e até mesmo Samba… Segundo o Xando é proposital: “Pedra não é uma banda de Rock, mas de Música!”

Certo. “Prestou atenção nas letras?” Perguntou ele… E eu engoli seco e dolorido. Justo eu, que sempre exigiu, surtou e esperneou com relação à letras, nesse caso específico não prestei atenção às letras, tão imbuído de buscar uma coerência sonora (?) no disco da banda. E não resisti. Semana passada, peguei o disco e deixei do meu lado. Não me lembrava mais da maioria das melodias, então fiz o que sempre faço: li as letras como poesia, uma a uma. Sentindo-as como tal e imaginando que música ali seriam possíveis. Então e apenas então, escutei a primeira vez e parte daquela impressão inicial tinha mudado.

Desta segunda seção de audição, na primeira escutada, foquei nas melodias e arranjos e percebi coisas interessantes que tinham passado desapercebidas da primeira oportunidade. Escutei outra e outra vez. E outra. E outra! Deixei de lado meu preconceito para “Qualquer coisa Não-Rock”… Quanto ás letras do disco da Pedra, minha leitura poética das letras mostrou coisas extremamente preciosas: Coisas fantásticas como “Amigos que já nem temos mais/ pelas portas que trancamos/ Costuram a nossa solidão.” E a letra/poesia inteira de “Reflexo Inverso”… No mais, sou obrigado a refazer minha opinião sobre a Pedra e reverenciar ainda mais seus músicos: Ave Xando, Domingues e Hid!

E como disse no início deste texto: todas as pessoas, fatos e músicas merecem: uma segunda chance, uma segunda versão e uma segunda audição. Absolutamente e estritamente nesta ordem! E a Pedra merece, com certeza, por esses e outros motivos que queira, uma segunda chance, versão e audição.

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e editor do Agulha.xyz, e Livre Pensador.

Assinar
Notificar:
guest

0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários

Conteúdo Protegido. Cópia Proibida!