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Palavra e Vazio

Renato Pittas

Conte as palavras dos desenganos, escreva mensagens em muros sobre suas etnias. Aqui começa uma viagem interior. O primeiro passo é contar, enumerar, tomar posse das palavras que nos desiludem, que nos desenganam. Essas palavras são os tijolos com os quais construímos muros invisíveis ao redor de nossas identidades, nossas etnias. As paredes que levantamos são reflexos das mensagens que decidimos inscrever sobre nós mesmos. Essas inscrições definem fronteiras, tanto internas quanto externas, que nos separam do resto do mundo e, às vezes, de nós mesmos.

Esqueça-se de tudo que o cerca a partir do que lembre sua genética. Esquecer-se do exterior é um convite ao recolhimento. Olhar para dentro e lembrar-se de nossa genética é compreender que somos o resultado de uma longa linha de antepassados, cada um contribuindo com um pedaço de quem somos. Ao deixar de lado as outras palavras, aquelas que vêm de fora, aquelas que nos impõem significados, podemos redescobrir a essência de nossa existência.

Conte algo sobre a imagem que se esvai pela manhã, nada de novo a não ser a falta de remédios. A imagem que se dissolve com o amanhecer é a metáfora da impermanência. Nada é permanente, nem mesmo nossas dores e desilusões. A falta de remédios sugere uma carência, uma ausência de soluções rápidas ou paliativas para os nossos males. Neste cenário, beber a ineficácia conjectural é aceitar que a vida é cheia de incertezas e complexidades que não podem ser resolvidas facilmente.

Esqueça sobre sentir-se bem ao acordar. Esta linha é um lembrete de que, muitas vezes, a vida não oferece conforto imediato. Sentir-se bem ao acordar não deve ser uma expectativa constante. É preciso aceitar a imperfeição do cotidiano e encontrar significado mesmo nas dificuldades e na rotina desgastante.

Deixe de lado o drama, contente-se com o pouco que lhe é oferecido entre um bip e outro na caixa de e-mails. A vida moderna, marcada por notificações constantes, nos oferece pouco tempo para reflexão profunda. O drama é muitas vezes uma criação nossa, um exagero de nossas emoções e percepções. Ao se contentar com o pouco que a vida oferece, encontramos paz na simplicidade e na aceitação do presente.

Mensagens secretas em código binário a desvendar palavras ocultas de uma era de tradição oral. A transição da tradição oral para o digital é um fenômeno fascinante. As mensagens em código binário representam a complexidade e a oculta simplicidade da comunicação moderna. Ao desvendar essas mensagens, encontramos significados ocultos que remontam às nossas origens mais profundas e às formas mais antigas de comunicação.

Deixe de lado a crença, envolva-se em outras palavras menos obscuras do que estas. Ao deixar de lado crenças rígidas, abrimos espaço para novas perspectivas. Palavras menos obscuras nos convidam a explorar significados mais claros e compreensíveis, simplificando o entendimento da vida e seus mistérios.

Desvende o fato tornando simples a sua compreensão, sendo assim, tudo se desmascara e torna-se simples como água e os mistérios de seus benefícios. A simplicidade é a chave para a compreensão. Quando desvendamos os fatos e os tornamos simples, revelamos a verdade essencial. Como a água, que é transparente e vital, a verdade simples é clara e benéfica.

Lendas assim contadas parecem estórias infantis sem maiores consequências. De novo conte a mesma estória sem mudar uma vírgula, siga nesta redundância até exaurir todo o conteúdo que faz da estória algo extraordinário aos ouvidos de quem escuta. Recontar lendas e histórias até que se tornem familiares é uma prática que nos conecta com nossa cultura e identidade. A repetição cria uma sensação de conforto e continuidade, tornando o extraordinário acessível e compreensível.

Cale-se e caia fora… Conte outra! O silêncio é a última palavra. Após a repetição exaustiva, o silêncio é uma pausa necessária. E então, começa-se novamente, com uma nova história, uma nova perspectiva, um novo começo. O ciclo se reinicia, e a busca pela compreensão continua.

Conte as palavras dos desenganos, escreva mensagens em muros sobre suas etnias. Essas mensagens inscritas em muros invisíveis refletem a luta de se encontrar em um mundo onde as palavras são armas e escudos. Cada palavra dos desenganos é um pedaço de dor transformado em expressão, uma tentativa de entender e compartilhar a experiência humana. Essas mensagens são ecos de nossas origens, uma tentativa de manter viva a chama das nossas raízes em meio à maré de mudanças culturais e sociais.

Esqueça-se de tudo que o cerca a partir do que lembre sua genética. Esquecer o mundo ao nosso redor é um exercício de introspecção. Nossa genética é um mapa de onde viemos, uma história escrita em nosso DNA. Ao lembrar de nossa genética, conectamo-nos com uma linha do tempo que se estende muito além de nossas vidas individuais, alcançando nossos ancestrais e suas histórias. Deixar de lado as palavras que vêm de fora nos permite ouvir a voz interna, a voz que conta a história da nossa existência.

Conte algo sobre a imagem que se esvai pela manhã, nada de novo a não ser a falta de remédios. Cada manhã traz a efemeridade de uma nova chance, a oportunidade de recomeçar. A imagem que se esvai com a luz do dia simboliza a fugacidade do tempo e a necessidade de encontrar sentido mesmo nas ausências. A falta de remédios é uma metáfora para a ausência de soluções fáceis, um convite a enfrentar a vida sem subterfúgios, abraçando a crueza da realidade.

Beba a ineficácia conjectural em outras palavras. Esta linha sugere a aceitação das incertezas e das suposições que muitas vezes governam nossas vidas. Beber a ineficácia é aceitar que nem sempre teremos todas as respostas ou soluções. Em outras palavras, é um chamado a viver com as perguntas e aprender com as dúvidas.

Esqueça sobre sentir-se bem ao acordar. A vida nem sempre oferece um despertar tranquilo. Esquecer essa expectativa é uma forma de se libertar das amarras do idealismo. Acordar para a realidade, com todas as suas imperfeições, é um ato de coragem. Aceitar a manhã como ela é nos prepara para enfrentar o dia com resiliência.

Deixe de lado o drama, contente-se com o pouco que lhe é oferecido entre um bip e outro na caixa de e-mails. A vida moderna, com suas demandas incessantes, nos força a encontrar paz no meio do caos. Deixar de lado o drama é abandonar a necessidade de criar conflitos internos e aprender a encontrar satisfação nas pequenas coisas. Entre um bip e outro, na rotina digital, existe um espaço para a gratidão e a aceitação.

Mensagens secretas em código binário a desvendar palavras ocultas de uma era de tradição oral. A evolução da comunicação, do oral ao digital, carrega em si uma riqueza de significados. As mensagens em código binário são os novos contadores de histórias, guardiões de um conhecimento que precisa ser desvendado. Ao traduzir essas mensagens, resgatamos a essência da nossa herança cultural e a adaptamos ao nosso tempo.

Deixe de lado a crença, envolva-se em outras palavras menos obscuras do que estas. A rigidez das crenças pode limitar nossa visão. Envolver-se em palavras mais claras e compreensíveis é um convite à abertura e à adaptação. Ao explorar novos significados, encontramos novas verdades que nos ajudam a navegar pela complexidade da vida com mais clareza.

Desvende o fato tornando simples a sua compreensão, sendo assim, tudo se desmascara e torna-se simples como água e os mistérios de seus benefícios. A simplicidade é a chave para desvelar a verdade. Quando tornamos os fatos claros e compreensíveis, tudo se desmascara. A verdade, como a água, é essencial e pura, e seus benefícios são incontáveis quando a aceitamos em sua forma mais simples.

Lendas assim contadas parecem estórias infantis sem maiores consequências. As lendas e histórias que contamos são mais do que meras narrativas. Elas carregam em si a sabedoria dos nossos antepassados e os ensinamentos das experiências humanas. Embora possam parecer infantis, essas histórias são profundas e carregadas de significados que transcendem o tempo.

De novo conte a mesma estória sem mudar uma vírgula, siga nesta redundância até exaurir todo o conteúdo que faz da estória algo extraordinário aos ouvidos de quem escuta. A repetição é uma forma de reforçar a importância das histórias. Ao contar e recontar, extraímos novos significados e mantemos vivas as tradições. Cada repetição é uma redescoberta, uma reafirmação do que é essencial e extraordinário.

Cale-se e caia fora… Conte outra! O silêncio é o ponto final que abre espaço para um novo começo. Após a repetição e a exploração exaustiva, o silêncio permite a reflexão e a preparação para uma nova narrativa. Contar outra história é um recomeço, uma nova jornada em busca de significado. Cada nova história é uma continuação do ciclo de aprendizado e crescimento, uma nova oportunidade de descobrir e compartilhar a experiência humana.

Cale-se e caia fora… Conte outra!

E então, um silêncio absoluto paira sobre o universo. As palavras ecoam, dissipando-se no éter como uma bruma matinal, e o mundo se transfigura. As paredes dos muros se desfazem em um caleidoscópio de luzes e sombras, revelando um portal para um reino além da compreensão. Aqui, a realidade se dobra sobre si mesma, e o tempo perde seu significado.

Na vastidão do desconhecido, flutuamos entre estrelas cintilantes e constelações que dançam ao som de uma melodia inaudível. Cada estrela é uma palavra, cada constelação uma frase, compondo uma sinfonia cósmica de significados ocultos. Os mistérios do universo se desnudam em uma dança eterna de luz e escuridão, onde cada segredo é uma chave para novas dimensões de entendimento.

Na fronteira entre o sonho e a vigília, encontramos seres etéreos, guardiões de histórias esquecidas e lendas perdidas. Eles sussurram segredos em idiomas ancestrais, tecendo uma tapeçaria de narrativas que transcendem o espaço e o tempo. Cada fio é um fragmento de sabedoria, cada padrão um reflexo da complexidade infinita da existência.

De repente, percebemos que somos ao mesmo tempo o narrador e o narrado, criadores e criaturas de uma história sem fim. Nossa essência se dissolve e se reintegra, uma miríade de possibilidades que se desdobram em universos paralelos. Em um instante de epifania, compreendemos que todas as histórias são uma só, e que o silêncio é a verdadeira linguagem do cosmos.

Então, em um último suspiro de lucidez, caímos fora do sonho e despertamos para uma nova realidade. As palavras que deixamos para trás se transformam em estrelas distantes, guiando-nos através das vastidões desconhecidas da nossa própria consciência. Prontos para contar outra história, recomeçamos a jornada, sabendo que cada palavra, cada silêncio, é um passo em direção ao infinito.
Seguimos em frente, entrelaçados com a vastidão do surreal, onde a verdade e a fantasia se encontram, e onde cada história é um portal para um novo começo.

Renato Pittas, Rio de Janeiro, RJ, é artista plástico, poeta, escritor e Livre Pensador.
Autor de Tagarelices: Conversas Fiadas Com as IAs

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