Os Dez Melhores Discos de Rock de Cada Década – Década de 1960

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Barata Cichetto

Se os anos cinquenta foram o baldrame, o alicerce, com o concreto, formado pelo amálgama de Rythm’n’Blues, Jazz, Country sendo jogado no solo formando de fato as bases sólidas do Rock, os sessenta foram sem dúvida alguma os pilares de sustentação de toda essa estrutura. A partir logo dos primeiros anos, com o surgimento das bandas mais importantes como The Beatles, Rolling Stones, The Who, essa década viu ainda nascer todos os maiores estandartes do gênero, como Led Zeppelin, Deep Purple, Yes, Pink Floyd, etc., etc..

Muitas pessoas que tem acompanhado a lista que eu e Dum de Lucca estamos publicado no Jukebox afirmam que o maior problema que teríamos ao elaborar a lista referente aos melhores discos (EM NOSSA OPINIÃO) seria com relação aos anos setenta, pelo numero de discos “clássicos”. Mas garanto que se, nos lançamentos não estão tais lançamentos, ao menos não os discos que até hoje estão nas “paradas”, estão nessa década todos os primeiros lançamentos das bandas mais emblemáticas do Rock.

E se na década de cinquenta, foram poucos, porque o Rock ainda se debatia feito um bebê ainda na maternidade, na seguinte ele era uma criança, rebelde, precoce, experimentando tudo o que é novo ― e tudo é novo para uma criança. Essa criança começou a testar de tudo, testar os limites do mundo, se alimentar de coisas sólidas e ricas, misturar segredos, sensações, regras e normas. Deixou a maternidade americana do norte e se bandeou para o outro lado do oceano, para as terras da rainha e lá, criança peralta correu livre.

Por outro lado, a década de sessenta viu acontecerem os festivais, enormes, gigantescos, cheios de sonhos. Foi nessa década que aconteceram os festivais Monterey Pop, Ilha de Wright e Woodstock. E foi ela que viu nascer e morrer crianças prodígios como Janis Joplin, Hendrix e The Beatles e dentro de um contexto histórico mais amplo, o Rock passou a ter um papel fundamental como contraponto à guerra do Vietnã, que assustava mais uma vez o mundo. O papel social do Rock, digamos assim, estava declarado e as mudanças em todos os níveis foram estabelecidas. Moda, costumes, pensamento, experiências mentais, rompimento de padrões… Tudo isso passou a ter outras formas, normas e condutas a partir dali.

Trabalho duro, então, teremos pela frente agora, em escolher dez discos dessa década…

1 ― The Rolling Stones ― 12 X 5
Lançamento: 17/10/1964
Gravadora: London

A1― Around and Around ― 3:00
A2 ― Confessin’ the Blues ― 2:45
A3 ― Empty Heart ― 2:35
A4 ― Time Is on My Side ― 2:50
A5 ― Good Times, Bad Times ― 2:28
A6 ― It’s All Over Now ― 3:20
B1 ― 2120 South Michigan Avenue ― 2:08
B2 ― Under the Boardwalk ― 2:45
B3 ― Congradulations ― 2:25
B4 ― Grown Up Wrong ― 2:04
B5 ― If You Need Me ― 2:00
B6 ― Susie Q ― 1:59

The Rolling Stones foi formada em Julho de 1962, e é uma das bandas mais antigas ainda em atividade. 12 X 5 é o segundo álbum da banda e foi lançado em 1964 na esteira do enorme sucesso de sua estreia “The Rolling Stones” no Reino Unido. Nos EUA foi lançado com o nome de “England’s Newest Hit Makers”. O álbum tem um repertório calcado em covers de clássicos do Rythm and blues americano, foi o trampolim da turnê americana, sucedendo-se à dos Beatles na conhecida como Invasão Britânica Contém quatro composições da ainda principiante dupla Mick Jagger / Keith Richards. O título vem de 12 músicas por cinco músicos.

2 ― The Kinks ― Kinks
Lançamento: 02/10/1964
Gravadora: Pye (UK), Reprise (USA)

A1 ― Beautiful Delilah 2:07
A2 ― So Mystifying 2:53
A3 ― Just Can’t Go to Sleep 1:58
A4 ― Long Tall Shorty 2:50
A5 ― I Took My Baby Home 1:48
A6 ― I’m a Lover Not a Fighter 2:03
A7 ― You Really Got Me 2:13
B1 ― Cadillac 2:44
B2 ― Bald Headed Woman 2:41
B3 ― Revenge 1:29
B4 ― Too Much Monkey Business 2:16
B5 ― I’ve Been Driving on Bald Mountain 2:01
B6 ― Stop Your Sobbing 2:06
B7 ― Got Love If You Want It 3:46

Lançado duas semanas antes de “12 X5” dos Rolling Stones, “Kinks”, que foi lançado nos EUA como You Really Got Me, é o o álbum de estréia da bandas. Sem o mesmo brilhantismo dos discos posteriores “Something Else by The Kinks”, “The Kinks Are the Village Green Preservation Society” e “Arthur or the Decline and Fall of the British Empire”, por exemplo, é um disco com a cara dos anos 60, sem muita produção ou invenção e é considerado um dos simbolos da tal Invasão Britânica. Algumas regravações, como “Beautiful Delilah”, de Chuck Berry e “Cadillac” de Bo Didley e a maior parte do repertório de composião dos irmãos Davies, Ray e Dave, como um dos maiores clássicos da banda, “You Really Got Me” . Segundo contou Dave Davies contou mais tarde, o som da guitarra, distorcido mais do que o normal, não foi casual: ele furou o alto-falante com um lápis e espetou algumas agulhas de costura, com a intenção de conseguir uma sonoridade única que nenhum guitarrista conseguia reproduzir na época. Outro destaque do disco é a instrumental “Revenge”.

3 ― The Sonic – Here Are The Sonics!!!
Lançamento: 03/1965
Gravadora: Etiquette Records

A1 ― The Witch 2:37
A2 ― Do You Love Me 2:16
A3 ― Roll Over Beethoven 2:47
A4 ― Boss Hoss 2:22
A5 ― Dirty Robber 2:01
A6 ― Have Love Will Travel 2:38
B1 ― Psycho 2:14
B2 ― Money 1:58
B3 ― Walkin’ the Dog ― 2:40
B4 ― Nighttime Is the Right Time 2:57
B5 ― Strychnine 2:13
B6 ― Good Golly Miss Molly 2:05

A banda The Sonic foi formada em 1962, mas sua estreia, com “Here Are The Sonics!!!” só aconteceu em 1965. Embora a década tenha sido dominada pelo som de bandas como Beatles, Stones e The Who, e pela psicodelia, e os hippies com sua filosofia de “Paz e Amor” , surgiram nessa época bandas que atualmente são denominadas como “Garage Rock”, que faziam um rock direto, cru e muito agressivo, que não compactuavam com essa filosofia. A imensa maioria dessas bandas permaneceu desconhecida, se mantendo no “undergroud”, mas influenciando sobremaneira o surgimento do Punk anos mais tarde. A base principal eram o Blues e o Rockabilly.

Dessas bandas, uma das mais importantes decerto foi The Sonics, a que mais ousou, sujando propositalmente o som, estourando caixas, usavam guitarras em volume altíssimo e se faziam soa agressivos, sobretudo com a quase ausência de teclados e uma bateria ensurdecedor, soando como um canhão de guerra. Releituras de compositores já clássicos como Chuck Berry, Little Richard e Ray Charles eram desvirtuadas, transformadas, arregaçadas. As musicas ganhavam mais peso, aceleração, com a versão de “Good Golly Miss Molly”, totalmente selvagem e “Night Time Is the Right Time” de Ray Charles, que ganha vocais berrados e arranhados. e mesmo nas composições próprias, como “The Witch” e “Psycho”, o The Sonics impõe um ritmo forte, com guitarras ruidosas e vocais violentos e em alguns casos, um saxofone totalmente ensandecido..

E é por essas e outras que considero “Here Are The Sonics!!!” um dos lançamentos mais importantes da década, essencial para a compreensão do que aconteceu no Rock nas décadas seguintes, em movimentos como o Punk e o Grunge.

4 ― The 13th Floor Elevators – The Psychodelic Sounds of The 13th Floor Elevators
Lançamento: 17/10/1966
Gravadora: International Artists

A1 ― You’re Gonna Miss Me ― 2:24
A2 ― Roller Coaster ― 5:00
A3 ― Splash 1 (Now I’m Home) ― 3:50
A4 ― Reverberation (Doubt) ― 2:46
A5 ― Don’t Fall Down ― 3:00
B1 ― Fire Engine ― 3:22
B2 ― Thru the Rhythm ― 3:05
B3 ― You Don’t Know (How Young You Are) ― 2:38
B4 ― Kingdom of Heaven ― 3:05
B5 ― Monkey Island ― 2:38
B6 ― Tried to Hide ― 2:43

A 13th Floor Elevators durou menos de quarto anos e lançou quarto discos, sendo um ao vivo. “The Psychedelic Sounds of the 13th Floor Elevators” é seu álbum de estreia da banda e foi lançado em 17 de outubro de 1966. A banda foi formada pelo guitarrista excêntrico Roky Erickson e pelo o estudante de psicologia Tommy Hall com seu “Jarro Amplificado”, em 1965 e terminou em 1968. Foi uma das mais influentes bandas da época, com uma mistura de elementos como folk, garage, blues e psicodelia. Um jarro amplificado era um instrumento de destaque na banda.

Podemos afirmar sem exagero, que o disco foi o precursor do acid rock. A criatividade de Roky, posteriormente afetado por esquizofrenia é impressionante, demonstrada em Faixas: como “Reverberation”, “Roller Coaster”, “Tried to Hide”, fascinantes e hipnóticas, embora, numa primeira audição, talvez não agrade os ouvidos menos atentos e abertos. A capa com clara referência a efeitos de drogas e os textos no encarte do disco causaram problemas com as autoridades americanas, que prenderam os integrantes do grupo. O discoé citado como o primeiro a usar no título o termo “psicodélico”, como referência referindo ao tipo de música contida do disco.

5 ― Cream – Disraeli Gears
[1967]
Lançamento: 02/11/1967 (Reino Unido), 09/12/1967 (Estados Unidos)
Gravadora: Reaction (Reino Unido), Atco (Estados Unidos)

A1 ― Strange Brew 2:49
A2 ― Sunshine of Your Love 4:12
A3 ― World of Pain 3:05
A5 ― Blue Condition 3:32
B1 ― Tales of Brave Ulysses 2:49
B2 ― Swlabr 2:34
B3 ― We’re Going Wrong 3:29
B4 ― Outside Woman Blues 2:27
B5 ― Take It Back 3:08
B6 ― Mother’s Lament 2:01

Disraeli Gears é o segundo álbum da banda inglesa Cream. Muitos críticos são de opinião de que a banda, formada por três dos melhores músicos de Rock da época: Eric Clapton, Ginger Baker e Jack Bruce, tenha sido um dos maiores expoentes do Rock Pesado daquela época. Para compreender o que isso significa, precisamos entender o contexto histórico e a disponibilidade técnica da época. E isso pode ser percebido claramente no disco de estreia, embora para esse segundo álbum o Cream tenha adicionado elementos de psicodelia ao seu som. E é isso que faz desse um disco espetacular. A força inerente à banda é filtrada e refinada com elementos psicodélicos. O título do álbum é baseado em uma piada interna da banda, sobre bicicletas e o nome do primeiro-ministro britânico Benjamin Disraeli. “Sunshine Of Your Love” e “Swlabr” tornaram-se

6 ― Pink Floyd – The Piper At The Gates Of Down
Lançamento: 05/08/1967
Gravadora: Columbia/EMI (RU), Tower/Capitol (Estados Unidos)

A1 ― Astronomy Domine ― 4:12
A2 ― Lucifer Sam ― 3:07
A3 ― Matilda Mother 3:08
A4 ― Flaming ― ― 2:46
A5 ― Pow R. Toc H. ― 4:26
A6 ― Take Up Thy Stethoscope and Walk ― 3:05
B1 ― Interstellar Overdrive ― 9:41
B2 ― The Gnome ― 2:13
B3 ― Chapter 24 ― 3:42
B4 ― Scarecrow -2:11
B5 ― Bike ― 3:21

“The Piper at the Gates of Dawn” é o álbum de estréia da banda britânica Pink Floyd e o único feito sob a liderança de Syd Barrett. As Faixas:, predominantemente escritas por Barrett, são inteiramente surreais, fazendo referência ao folclore, como em “The Gnome”, e letras poéticas, numa mistura eclética de música, desde vanguardista, “Interstellar Overdrive”, até canções assobiáveis como “The Scarecrow”, que é inspirada nas Fenlands, região rural ao norte de Cambridge, cidade de Barrett, Waters e Gilmour. O disco vai ao limite no uso de novas tecnologias, como o constante de espaçamento no estéreo, edição de fita, efeitos de eco e teclados. Um fato interessante sobre esse disco é que ele foi gravado simultaneamente ao aclamado Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band dos Beatles, no estúdio da Abbey Road, e os integrantes das bandas frequentemente se encontravam no corredor e conversavam sobre influencias musicais. O título do álbum é baseado no conto infantil O Vento nos Salgueiros, de Kenneth Grahame, onde o Rato e a Toupeira, enquanto procuram um animal perdido, têm uma experiência religiosa. Um disco que estará sempre em qualquer lista de qualquer época. Atemporal, seminal. Clássico. Eterno!

7 ― The Beach Boys ― Pet Sounds
Lançamento: 16 de Maio de 1966
Gravadora: Capitol

A1 ― “Wouldn’t It Be Nice” – 2:22
A2 ― “You Still Believe In Me” – 2:30
A3 ― “That’s Not Me” – 2:27
A4 ― “Don’t Talk (Put Your Head On My Shoulder)” – 2:51
A5 ― “I’m Waiting For The Day” – 3:03
A6 ― “Let’s Go Away for Awhile” (Wilson) – 2:18
A7 ― “Sloop John B” – 2:56
B1 ― “God Only Knows” – 2:49
B2 ― “I Know There’s An Answer” – 3:08
B3 ― “Here Today” – 2:52
B4 ― “I Just Wasn’t Made For These Times” – 3:11
B5 -“Pet Sounds” (Wilson)– 2:20
B6 -“Caroline, No” – 2:52

A maioria das pessoas conhece The Beach Boys como uma banda de Surf Music, com aquelas baladas instrumentais de filmes sobre praia. Mas essa banda, formada nos Estados Unidos bem no inicio dos anos 1960 foi, antes mesmo dos ingleses do The Beatles e Pink Floyd, a precursora da vanguarda do Rock, utilizando-se de novas tecnologia e da inclusão de instrumentos estranhos ao universo do Rock, como sinos de bicicleta, órgãos, cravos, flautas, teremim, e apitos para cães, junto com instrumentos mais comuns. “The Pet Sounds” é considerado dos primeiros álbuns de Art Rock, ou seja, rock em forma de arte no sentido adjetivo da palavra. Mais de setenta músicos participaram desse disco.

8 ― The Beatles ― Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band
Lançamento: 01/06/1967
Gravadora: Parlophone (GB) / Capitol (Estados Unidos)

A1 ― “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” ― 2:02
A2 ― “With a Little Help from My Friends” ― 2:44
A3 ― “Lucy in the Sky With Diamonds” ― 3:28
A4 ― “Getting Better” ― 2:47
A5 ― “Fixing a Hole” ― 2:36
A6 ― “She’s Leaving Home” ― 3:35
A7 ― “Being for the Benefit of Mr. Kite!” ― 2:37
B1 ― “Within You Without You” ― 5:05
B2 ― “When I’m Sixty-Four” ― 2:37
B3 ― “Lovely Rita” ― 2:42
B4 ― “Good Morning Good Morning” ― 2:41
B5 ― “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Reprise)” ― 1:18
B6 ― “A Day in the Life” ― 5:33

No final de 1966, os Beatles estavam cansados de turnês. A última, que tinha terminado em agosto, havia sido um tanto problemática em função das declarações de John Lennon sobre serem mais populares que Jesus Cristo. A decisão foi que a banda deixaria de excursionar e se dedicaria mais aos trabalhos de estúdio. Eles estavam se familiarizando com novos instrumentos e tecnologias. Além disso, existia uma rivalidade antiga com os norte-americanos do Beach Boys, que tinham também naquele ano realizado o revolucionário, no sentido de experimentalismo e sofisticação “Pet Sounds”. A ideia era de Paul McCartney era fazer um álbum conceitual, como se os Beatles fossem realmente a Banda de Sgt. Pepper’s .

Cheio de experimentações, o álbum, produzido por George Martin, é um precursor de técnicas de gravação e composição. Foi o primeiro disco gravado em oito canais, com dois consoles de quatro canais e incorporou técnicas muito inovadoras no mundo da música. Em treze canções ampliaram os conceitos, agregando instrumentos hindus, orquestrações, gravações tocadas ao contrário e sons de animais. Rock, music hall, baladas, jazz e até música oriental se misturam em Sgt. Pepper. Um dado importante é de que na mesma época e estúdio, o Abbey Road, outra banda gravava seu primeiro disco, o Pink Floyd e era comum os músicos das duas bandas se encontrarem, o que suscita em muita gente o pensamento de que muitas idéias musicais de Syd Barrett e sua turma teriam sido apropriadas por Lennon e a dele. Agora, se houve isso, alguma influência Floydiana ou foi causado pela rivalidade com os Beach Boys, pouco importa, pois esse disco é, simplesmente, um marco fundamental na história do Rock. A partir daquele momento, ele deixava a infância de brincadeiras e irresponsabilidades para entrar numa fase de adolescência livre e criativa.

9 ― The Jimi Hendrix Experience – Electric Ladyland
Lançamento: 25/10/1968
Gravadora: Reprise (EUA), Track (Reino Unido

A1 ― And the Gods Made Love 1:22
A2 ― Have You Ever Been (To Electric Ladyland) 2:09
A3 ― Crosstown Traffic 2:26
A4 ― Voodoo Chile 14:58
B1 ― Little Miss Strange 2:52
B2 ― Long Hot Summer Night 3:27
B3 ― Come On (Let The Good Times Roll) 4:10
B4 ― Gypsy Eyes 3:45
B5 ― Burning of the Midnight Lamp 3:40
C1 ― Rainy Day, Dream Away 3:40
C2 ― 1983…(A Merman I Should Turn to Be) 13:09
D1 ― Still Raining, Still Dreaming 4:26
D2 ― House Burning Down ― 4:32
D3 ― All Along the Watchtower 4:01
D4 ― Voodoo Child (Slight Return) 5:11

James Marshall tinha por nome de nascimento Johnny Allen, da família Hendrix; e nasceu em Seattle, 27 de novembro de 1942 e morreu m Londres em 1970. E os poucos anos que durou sua carreira, menos de cinco anos, foram o suficiente para transformá-lo numa das maiores referências do mundo do Rock.

E “Electric Ladyland”, terceiro e último álbum de estúdio da The Jimi Hendrix Experience, é o auge da genialidade de Jimi Hendrix demonstrando nesse disco todas as suas facetas como guitarrista. Um caldeirão de estilos e gêneros, do soul à psicodelia, passando pelo blues elétrico, dão asas ao perfeccionismo do guitarrista. Sobre as capas desse disco, a idéia de Hendrix era uma fotos feita por. por Linda Eastman (falecida esposa de Paul McCartney e herdeira da Kodak/Eastmancolor), rodeada de crianças, mas seu pedido foi ignorado. Em vez disso, foi usada a foto de seu rosto, borrada em vermelho e amarelo. A versão inglesa, que gerou controvérsias e posteriormente foi proibida pelos herdeiros, mostra 19 mulheres nuas num fundo preto.

Algumas curiosidades: Hendrix tocou: Baixo nas músicas “Have You Ever Been (To Electric Ladyland)”, “Long Hot Summer Night”, “Gypsy Eyes”, “Rainy Day, Dream Away”, “House Burning Down” e “All Along the Watchtower” e um instrumento chamdo Kazoo, feito com um pente e um pedaço de papel, em “Crosstown Traffic”; Um isqueiro foi usado como “bottleneck” no solo de “All Along the Watchtower”.

A parte a imagem de irresponsável, exagerado festeiro, mulherengo, que morreu afogado no próprio vômito etc, Hendrix foi um artista anos-luz a frente dos demais, levando a guitarra a limites nunca antes transpostos. E até hoje esses limites estão esperando para serem quebrados.

10 ― Frank Zappa & The Mothers Of Invention – Freak Out!
Lançamento: 27/06/1966
Gravadora: Verve/MGM

A1 ― Hungry Freaks, Daddy 3:27
A2 ― I Ain’t Got No Heart 2:30
A3 ― Who Are the Brain Police? 3:22
A4 ― Go Cry on Somebody Else’s Shoulder 3:31
A5 ― Motherly Love 2:45
A6 ― How Could I Be Such a Fool 2:12
B1 ― Wowie Zowie 2:45
B2 ― You Didn’t Try to Call Me 3:17
B3 ― Any Way the Wind Blows 2:52
B4 ― I’m Not Satisfied 2:37
B5 ― You’re Probably Wondering Why I’m Here 3:37
C1 ― Trouble Every Day 6:16
C2 ― Help, I’m a Rock (Suite in Three Movements) 8:37
― ― 1st Movement: Okay to Tap Dance
2nd Movement: In Memoriam, Edgar Varese’
3rd Movement: It Can’t Happen Here ―
D ― The Return of the Son of Monster Magnet 12:17
I. Ritual Dance of the Child-Killer
II. Nullis Pretii (No Commercial Potential)

Frank Vincent Zappa (1940/1993) foi antes de tudo um criador incansável, um vanguardista insano e um musico soberbo. Adjetivos para definir Franka Zappa ainda teriam que ser inventados. Em uma carreira de mais de trinta anos, sua obra musical estendeu-se por todas as vertentes do rock, além do fusion, jazz, música eletrônica, música concreta e música clássica. Além disso, também foi o realizador de longas-metragens e videoclipes e desenhou capas dos mais de sessenta discos gravados em vida, fora uma imensa quantidade de material que deixou gravado e que vem sido lançado por seus herdeiros.

E “Freak Out!” é o álbum de estréia de Frank Zappa e da sua banda, The Mothers of Invention, lançado em 1966 e um dos primeiros álbuns duplos da história e o primeiro álbum conceitual do rock. Nesse disco Zappa avacalha com os valores políticos da América e até mesmo com a chamada contra-cultura da época. A irreverência, as críticas ásperas e a ironia eram suas maiores características.

Visceral, cru, genial, esse disco influenciou muito no que se fez em termos de Rock nos anos seguintes e a genialidade de seus trabalhos reside no fato de que Zappa era um musico que levava seu trabalho a sério e às ultimas conseqüências, estudava a fundo, testava todos os limites musicais e era muito exigente com toda a sua banda. A partir do estardalhaço causado por esse disco, Zappa passou a ser admirado e respeitado não apenas dentro do mundo do Rock, mas também por maestros e jazzistas, tamanho seu talento.

“Freak Out!” é um registro histórico e, na verdade, embora num primeiro momento tivesse sido taxado de estranho demais e, portanto inacessível. Na gravação participaram quase cem músicos, de todas as tendências musicais. É um disco essencial para a compreensão não apenas da obra de Zappa, mas que deve ser cultuado como uma das obras mais criativas do Século XX.

Comentário Final:

A lista base inicial que compus chegou a mais de trinta discos. Algumas bandas e artistas continham dois ou três. O critério mais justo que me pareceu foi primeiro deixar apenas um de cada e depois selecionar, dentro de cerca de vinte que sobraram, os dez que compõe essa lista. Os critérios não foram apenas a qualidade musical, mas o significado dentro do contexto histórico. De uma década com tanta importância é realmente muito difícil elaborar os “melhores”, mesmo porque o sentimento de injustiça perante um ou outro ainda permanece. Sempre irá permanecer, mesmo que a lista seja de mil, não de apenas dez.

12/11/2013

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Viveu a vida entre Sexo, Poesia e Rock’n’Roll. Criador e Editor do Agulha.xyz e  Livre Pensador.

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Genecy de Souza
Genecy de Souza
26/02/2024 18:37

O texto de apresentação está perfeito, a começar pelo primeiro parágrafo.

De fato, os sixties foram anos de inovação, desafio a tudo, experimentações, enfim. E, dentro desse contexto, quatro álbuns destaco com louvor:

Disraeli Gears (Cream);
Pet Sounds (The Beach Boys);
Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (The Beatles); e
Electric Ladyland (The Jimi Hendrix Experience).

Cada um no seu estilo, ainda são tão inovadores quanto na época em que foram lançados.

Por fim, é um absurdo saber que o The Rolling Stones ainda está na ativa em 2024, e com um bom novo álbum lançado.

Genecy de Souza
Genecy de Souza
Responder a  Agulha Xyz
26/02/2024 20:00

No meu modesto entendimento, a década de 50 foi o início de tudo. A consolidação se deu nos anos 60, 70 e 80 (estes já com claros sinais de diversificação nem sempre admiráveis). No mais, tudo o que veio depois é reflexo do que foi criado nas décadas citadas.

Vinnie Blues
Vinnie Blues
25/02/2024 23:25

Embora o meu disco preferido de 70 ( Deep Purple in Rock) não esteja na lista, eu gostei muito da relação. Óbvio que existem outros fantásticos que também não fazem parte das listas mas gosto não se discute. Maravilha !!! 👍✌️

Genecy de Souza
Genecy de Souza
Responder a  Vinnie Blues
26/02/2024 20:01

Esse álbum do DP é uma porradaria sonora sem igual.