O Ódio é Uma Forma de Amor(?)

Compartilhe!

Barata Cichetto


A poesia abundante. Degenerada feito debutante. Que escorre pelos cantos dos lábios. Feito as palavras dos sábios. Geniosos geniais esbarram na plenitude do nada. E escarram na cara do cara. O tal poeta arrependido. Abraçado a uma cortina rasgada que escurece a mansão dos mortos. Tal como putas cheirando a talco e cocaína. E mofo. E naftalina. Reflito em cena. No palco. Sobre o paradigma de Paracelso. E sobre a aurora dos santos que foram enterrados profundamente. Feito serpentes embaixo da igreja. E arfando desfiro contra mim mesmo um tiro no peito. E se sei daquilo que sou feito. Perfeito. Acredito no sujeito. Oculto e culto. Simples e composto. E com efeito não há predicados a predicar. Nem reinados a abdicar. Apenas a dor. No peito. Desfeito. Daquele jeito. Que nem sei se o diabo gosta. Mas no que ele aposta. A desilusão. O céu é mais azul na morada no sol. As árvores que aqui granjeiam não varjeiam como lá. E se não há que se faça haver. Nada a ver. Nada a haver. Haja saco. Aja com cautela. E coma sopa de galinha. Sabendo que no final da linha. Tem um hospital. Eu não quero chegar antes do trem. Ainda tem uma porção de pontos e de vírgulas que quero matar. Antes de chegar ao final. Pontos assassinos. Vírgulas ditadoras de regras. Não há ponto final. O final tinha que ser dois. Mas não um em cima do outro. Ou em cima um do outro. Dependendo do ponto de vista. E da vista do ponto. Um do lado do outro. Como companheiros de uma batalha que chegou ao final.

10/09/2018

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e Editor do Agulha.xyz e Livre Pensador.

5 1 Vote
Avaliação do Artigo
Assinar
Notificar:
guest

0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários