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O Açougueiro, o Escritor e a Carne da Vaca – Freak News Nº 20

Barata Cichetto

No Freakistão não me deixam falar, disseram que era para eu calar, esconder minha máquina de escrever e guardar minha caneta tinteiro, porque nem o dono do puteiro, nem meu vizinho leiteiro, iriam me escutar. Pensei mesmo em parar, de escrever, de pensar, e até de respirar. Cansei de esperar, de me desesperar e me exasperar. — Fui até a esquina onde estava um sujeito parado. Era feio e desdentado. Um tipo freaksquisito, como eu nunca tinha visto. Ele disse bom dia, mas como era noite não respondi. E depois perguntei ao coitado, o que ele fazia ali. E ele respondeu entre o cuspe e o babado, que era apenas um desempregado, e que estava desesperado. Era um artista, disse o freakista, daqueles que a cada conquista perdia um pouco da vista. Um escultor? — Das carnes e ossos um doutor, respondeu o esquisito. Um açougueiro, logo deduzi. Daqueles que manejam facas e cortam as carnes das mortas vacas, para servir a distinta freguesia, podre burguesia. Também sou artista, e corto carnes com poesia, disse ao monstruoso. E também sou perigoso. Riu o freaksquisito e disse que não tinha me visto, logo eu que nunca desisto. Logo pensamos em como podíamos sobreviver: ele com a faca e eu com a máquina de escrever, já que o que fazíamos era igual: cortar e fazer sangrar carnes, e aos tolos alimentar. Assim criamos uma Sociedade. Anônima e ilimitada, onde cada um fazia da sua maneira a poesia. E cada um cortava a carne do seu jeito. E assim sabíamos que antes do pleito, seria nosso o direito, de sangrar o que é imperfeito, e quem nos tinha malfeito, como o sujeito, que me fez suspeito, e o comunista que desempregou o freakista da carne artista. — Acordei. Ao meu lado minha máquina de escrever toda manchada de sangue, e sobre ela uma enorme faca de açougueiro. Olhei pela janela, e na esquina parado, um homem freaksquisito, que eu já tinha visto, antes de ser calado, e não era açougueiro, mas amigo do delegado.

05/06/2024

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Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e editor do Agulha.xyz, e co-fundador da Editora Poetura. Um Livre Pensador.
Contato: (16) 99248-0091

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