Napoleão Bonaparte

Napoleão nascido Napoleone di Buonaparte (Italiano: [napoleˈoːne di ˌbwɔnaˈparte] (Ajaccio, 15 de Agosto de 1769 — Longwood, 5 de Maio de 1821) foi um estadista e líder militar francês que ganhou destaque durante a Revolução Francesa e liderou várias campanhas militares de sucesso durante as Guerras Revolucionárias Francesas. Foi imperador dos franceses como Napoleão I de 1804 a 1814 e brevemente em 1815 durante os Cem Dias. Napoleão dominou os assuntos europeus e globais por mais de uma década, enquanto liderava a França contra uma série de coalizões nas guerras napoleônicas. Ele venceu a maioria desses conflitos e a grande maioria de suas batalhas, construindo um grande império que governava grande parte da Europa continental antes de seu colapso final em 1815. Ele é considerado um dos maiores comandantes da história e suas guerras e campanhas são estudadas em escolas militares em todo o mundo. O legado político e cultural de Napoleão perdurou como um dos líderes mais célebres e controversos da história da humanidade.

Texto da Wikipedia

Napoleão Bonaparte

A grande arte é mudar durante a batalha. Ai do general que vai para o combate com um esquema.  – Napoleão Bonaparte

Napoleão Bonaparte

A História é um conjunto de mentiras sobre as quais se chegou a um acordo.  – Napoleão Bonaparte

Napoleão Bonaparte

O tolo possui uma grande vantagem sobre o homem de espírito; está sempre contente consigo mesmo.  Napoleão Bonaparte

Napoleão Bonaparte

A primeira qualidade de um comandante é cabeça fria para receber uma impressão correcta das coisas. Não deve deixar-se confundir quer por boas quer por más notícias.  Napoleão Bonaparte

Napoleão Bonaparte

O homem superior é impassível por natureza: pouco se lhe dá que o elogiem ou censurem – ele não ouve senão a voz da própria consciência. Napoleão Bonaparte

Napoleão Bonaparte

Todo o homem luta com mais bravura pelos seus interesses do que pelos seus direitos. – Napoleão Bonaparte

Alexandre, o Grande, Júlio César e Napoleão Bonaparte compareceram à tomada de posse de Joe Biden

Alexandre, o Grande, Júlio César e Napoleão Bonaparte compareceram à tomada de posse de Joe Biden. Eles olharam para a forte presença militar, os agentes do FBI observando e para a multidão de repórteres.
“Com um exército assim”, disse Alexandre, “eu teria conquistado o mundo.”
“Com serviços secretos como este FBI”, disse César, “eles não teriam ousado esfaquear-me no Senado.”
“Com estes media”, disse Napoleão, “nunca ninguém saberia que eu perdi a batalha de Waterloo.”

Genecy Souza – Minha Distopia Antifeicebookiana

Genecy Souza

Já vai longe o tempo em que acreditei serem as redes sociais uma utopia. Hoje, sou um distópicoorwelliano, um rebelde contra as Diretrizes da Comunidade.

Definição de Utopia: Situação ou local idealizado; lugar onde tudo acontece de maneira perfeita ou ideal. Local ou situação ideal onde tudo é perfeito, harmônico e feliz; refere-se especialmente a um tipo de sociedade com uma situação econômica e social ideal. O que está no âmbito do irrealizável; que tende a não se realizar; quimera, sonho; fantasia.


Situações determinadas em que os indivíduos estão em estado pleno de felicidade e harmonia.

[Política] P.ext. Qualquer situação imaginativa que, remetendo ao que é ideal e priorizando a qualidade de vida, garante uma sociedade mais justa e com políticas públicas igualitárias.

https://www.dicio.com.br/utopia/


Definição de Distopia:Lugar hipotético onde se vive sob sistemas opressores, autoritários, de privação, perda ou desespero; antiutopia.

Demonstração hipotética de uma sociedade futura, definida por circunstâncias de vida intoleráveis, que busca analisar de maneira crítica as características da sociedade atual, além de ridicularizar utopias, chamando atenção para seus males.

[Literatura] Obra literária que descreve uma sociedade hipotética e autoritária.

https://www.dicio.com.br/distopia/


Nunca, em tempo algum, os dois conceitos estiveram tão próximos um do outro, praticamente ocupando o mesmo espaço. Basicamente, um é o antípoda do outro. Temo acreditar que eles se complementam, ao invés de se rechaçarem. São os tempos estranhos em que vivemos que causam essa confusão. Estarei equivocado? Tomara que sim.


Mundos ou sociedades utópicas são relatados em livros desde a Antiguidade. Platão, em A República (c. 370 a.C) projeta uma sociedade tão evoluída na forma de administrar uma cidade, de maneira que há harmonia de interesses diversos, à parte dos interesses particulares, sobrepujando conflitos, resultando no bem-estar coletivo de seus habitantes. A obra o filósofo grego é até hoje objeto de estudos. Ao longo dos séculos, obras clássicas de autores como Thomas More (Utopia, 1516), Francis Bacon (Nova Atlântida, 1624), Jean Jacques Russeau (Do Contrato Social, 1762), Karl Marx (O Capital, 1848), William Morris (Notícias de Lugar Nenhum, 1890), H.G Wells (A Utopia Moderna, 1905), Arthur C. Clark (O Fim da Infância, 1953), e tantos outros, os quais, de um modo ou de outro, contribuíram para a formação intelectual da sociedade contemporânea.


Ainda no quesito das utopias, cabe destacar outras três, devidamente incluídas na Galeria da Infâmia: O Manifesto Comunista (de Karl Marx e Friedrich Engels, 1848), Mein Kampf (de Adolf Hitler, 1925), e O Pequeno Livro Vermelho (de Mao Tse-Tung, 1964).


Os autores foram lidos e obedecidos, formando algo muito semelhante a religiões organizadas, com a diferença de que se expandiram muito rápido e em tão pouco tempo, tendo, entre tantas consequências,o alto grau de destruição e mortes sem paralelo na História. Lamentavelmente, e apesar das duras lições, Marx e Mao Tse-Tung são estudados e admirados por intelectuais, artistas e formadores de opinião mundo a fora, em especial na América Latina, ao passo que os ideais do ditador nazista, apesar de proscritos no mundo inteiro, seguem vivos, porém de forma obscurantista, haja visto a frequência com que seitas neonazistas são expostas e denunciadas. Não é demais deixar claro que o comunismo, o nazismo – e também o fascismo — compartilham a mesma fossa fétida, por terem mais semelhanças do que diferenças. Este escriba os abomina profundamente.


A genialidade humana que criou as utopias também é a mesma que fez surgir as distopias. Isso prova que os seres humanos foram moldando sua forma de compreender o mundo que os cerca conforme as mudanças – naturais ou não – foram se sucedendo. Imagino que esse constante processo de adaptação nunca terá um fim. Uma distopia é, segundo minha modesta opinião, uma declaração de falência de ideias antes tidas como libertadoras na essência. Essa falência é resultante do choque de interesses e da constante busca pelo poder, pouco importando o custo disso — custo material e em vidas, destaque-se –. Quando uma ideologia é posta em prática, seja no bojo de uma revolução, guerra civil, golpe de estado, ou até mesmo de uma transição, digamos, pacífica e dentro da civilidade, em algum momento será posta em dúvida, haja visto que ela jamais agradará integralmente a todos.


Mais uma vez, o choque de interesses de grupos distintos se fará notar. Vencerá a parada o grupo melhor organizado e com força suficiente para subjugar os demais. Se nos centrarmos de Napoleão Bonaparte até os líderes políticos contemporâneos, há de se concluir que o choque de ideias obedece a uma lógica comum: o grupo mais capaz lidera e/ou subjuga os demais. A rebeldia a força predominante resulta em tragédias dos mais variados graus de intensidade: guerras coloniais no século 19, Guerras Napoleônicas, a partilha da África, Revolução Russa, Primeira e Segunda Guerras Mundiais, bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, Guerra do Vietnam, Revolução Cultural Chinesa, Revolução Cubana, golpes de estado na América Latina, África e Ásia; a Guerra Fria, e toda uma série de crises e conflitos infelizmente ainda presentes no nosso tempo.


Ante o exposto, fica a pergunta: aonde quero chegar?


Certamente, não é para tratar de filosofia, tampouco de geopolítica. É para discorrer sobre a distopia mesmo. Mas, uma distopia diferente, que não mata, tampouco destrói – ao menos por enquanto. Dou a essa distopia o nome de antifeicebookismo. Simplificando: a distopia abrange outras três: anti-instagramismo, antituiterismo e antiyutubismo. Nesta matéria o antifeicebookismo representa todas as demais redes sociais em atividade, à exceção de uma ou outra, que ainda não representam algum problema, talvez por serem pouco expressivas.


Em 1949, o escritor inglês George Orwell publicou o romance distópico 1984, que conta a infeliz saga de um homem cuja vida é um zero à esquerda no sistema político no qual (sobre)vive. Seu trabalho consiste em falsificar documentos, dados, informes a todo momento, conforme as conveniências do governo. Ou seja: todas as adulterações devem beneficiar o Estado, o qual, por sua vez, se impõe por meio da propaganda como uma espécie de paraíso, governado pelo Grande Irmão, uma espécie deus, que tudo pode, tudo vê e tudo ouve. Nada acontece fora do seu controle. Em outras palavras: uma utopia.


A distopia orwelliana foi gerada na contemporaneidade do nazismo e do comunismo (inclua-se também o fascismo). Observador atento e com um senso crítico bastante aguçado, o autor simplifica sua narrativa de modo a facilitar a compreensão do estado de coisas que mudaram a geopolítica mundial, sobretudo na Europa das décadas de 1930 e 1940. George Orwell, creio, não tinha a menor intenção de se apresentar como um profeta. Todavia, as mudanças históricas ocorridas desde então apontam o grande escritor como um profeta involuntário, haja visto que estamos vivendo tempos orwellianos, com a diferença de que não temos um, mas muitos Grandes Irmãos.


Essa percepção foi ganhando tamanho e forma à medida que as redes sociais foram conquistando mais e mais pessoas, em todos os cantos do mundo. Uma dessas redes – o Facebook – é a que mais se destaca, por ter se tornado praticamente onipresente. No livro 1984, as pessoas são vigiadas pelas famigeradas teletelas, as quais funcionam tanto como televisores como filmadoras. Observe-se que Orwell nem de longe poderia imaginar que no século 21 haveria aparelho denominados i-Phone e webcam, instrumentos fundamentais para o funcionamento das redes sociais, as quais se valem de algoritmos que agem como cães farejadores com comportamento de X-9 (dedos-duros), que reportam às empresas, entre elas o Facebook, que controlam essas redes os hábitos dos usuários. Não está longe o tempo em que as Plataformas, que nada mais são que empresas gigantescas e cada vez mais influentes, inclusive nos governos, também adquirirá a capacidade de ler pensamentos. Os Big Brothers do século 21 fazem o Big Brother dos anos 1940 parecer um frei franciscano, tal é o seu poder cada vez mais crescente.


Os Big Brothers do século 21 transformam a verdade em mentira e a mentira em verdade conforme suas conveniências. A onda de fake news, tão presente em nosso cotidiano, serve a todos os tipos de interesses, sobretudo políticos e econômicos: a ordem é destruir tudo aquilo que vai de encontro ao que é considerado verdade por grupos influentes e bastante ativos nas redes sociais. Já não é tão importante o tamanho de grandeza desses grupos, e sim, a capacidade de se articularem e fazerem muito barulho. O objetivo é intimidar, patrulhar, censurar, isolar e punir todo aquele de que coloca contra uma linha de pensamento que se considera dona daquilo que entendemos como verdade absoluta.


Quando a internet se tornou uma realidade – e não mais um item de ficção científica – ingenuamente comecei a acreditar em uma utopia, na qual a humanidade enfim conquistaria tal grau de desenvolvimento que fronteiras seriam derrubadas, todas as diferenças seriam solucionadas, as ditaduras seriam extintas, enfim, a humanidade alcançaria um nível de desenvolvimento realmente libertador. Bem, não foi bem assim que aconteceu, não obstante os enormes benefícios concedidos pela internet.


É óbvio que não podemos prescindir da internet. É um bom caminho sem volta. Por outro lado, as tais redes sociais, tendo o Facebook como símbolo mais vistoso se revelam, cada vez mais, como mecanismos de controle social de grandes massas humanas são capazes de atender a interesses não apenas políticos e econômicos, mas também os obscurantistas. Os eventos relacionados a pandemia do vírus chinês provam o quanto estamos indefesos ante os ditames das redes sociais. Nunca se viu o alto grau de manipulação do pensamento, da aplicação do medo como método de submissão de populações inteiras. Os resultados já se fazem sentir.


Há quase três anos rompi com as redes sociais, mais como um meio de autopreservação. Apesar disso, estou ciente que sou diuturnamente monitorado pelos Grandes Irmãos, que não agem apenas nas redes sociais, mas com a vantagem que não mais entro em embates com amigos, virtuais ou não, por causa de ideias e percepções do mundo. Sou do tipo que não acompanha rebanhos. Nesse particular, não estou a mercê da Polícia do Pensamento, também chamada de Diretrizes da Comunidade, o que, de certa forma, é um alívio, desconfio que temporário.


Embora pareça prematuro pensar assim, acredito que minha distopia antifeicebookiana também esteja crescendo em outros lugares, tal é o desencanto com o Admirável Mundo Novo das redes sociais.

Genecy Souza – Escritor, Comerciário – Manaus – AM
Nascido em Manaus-AM em 1964, três semanas após aquele 31 de março/1º de abril, quase tão pobre quanto o Cristo, cresceu em um dos bairros mais fodidos da cidade, que ainda sofria as consequências do fracasso da época áurea da borracha. Desde muito pequeno adquiriu o gosto pela leitura, hábito que lhe causou fome de quase tudo. Nunca aprendeu nada na escola. Não é formado em profissão nenhuma, mas já exerceu um monte delas: office-boy, auxiliar de escritório, soldado, comprador, caixa, comerciário. Tentou ser empresário do ramo de discos, mas quebrou a cara. Hoje, trabalha em um escritório de contabilidade..
Possui textos publicados na revista digital PI Ao Quadrado e na revista em papel Gatos & Alfaces, ambas publicadas por Luiz Carlos Cichetto. Ainda vive em Manaus.

Fernando Cavalcanti – É Mais Que Um Crime, é Uma Estupidez (Ou Ódio Só Gera Mais Ódio)

Fernando Cavalcanti

O novo pedido de impeachment de Bolsonaro provavelmente não terá qualquer eficácia política (talvez Rodrigo Maia nem sequer o receba, temeroso do efeito polarizador na candidatura de Baleia Rossi), mas infalivelmente comportará efeitos psicológicos: dará mais “combustível” aos ressentimentos da direita em relação à esquerda.


A esquerda, há muito tempo, não dialoga. Desde que conseguiu “aparelhar“, gramscisticamente, o meio acadêmico, o Legislativo e O Judiciário (e, até recentemente, o Executivo) e, last but not least, a Grande Imprensa, ela exige submissão pura e simples aos seus postulados, tornados “diktats“. Uma espécie de Evangelho (“Boa Nova”) leigo. E para sua imposição aparelharam uma nova Inquisição, também leiga.


Arvoraram-se em monopolizadores da verdade, da ética e da razão. E não admitem que haja quaisquer contestações. Quem os contradiz é submetido a censura e repressão de diversas formas, oficiais e não-oficiais. De maneira oficial, à guisa de exemplo, temos a censura, as apreensões de bens e as prisões judicialmente decretadas por nosso STF (cujos membros são todos progressistas).


De maneira não oficial temos a pressão exercida por grupos “progressistas” da sociedade civil como o “Sleeping Giants“, os (auto-intitulados) Movimentos Feminista, Negro, GLBTQ etc. Nenhum dos quais foi eleito. Logo, sua representatividade é fictícia. Exigem adequação de atitudes alheias sem que suas “vítimas” tenham direito a princípios jurídicos basilares, como o Contraditório, o Devido Processo Legal, a Presunção de Inocência e outros. São um tribunal espúrio, “fantasma”, mas todo-poderoso. Similar à situação surrealista descrita por Kafka em “O Processo“.


E as redes sociais predominantes refletem os princípios, ou melhor, a ideologia do Progressismo. Isso é gravíssimo, porque o mundo atual é, por assim dizer, pautado pela expressão em redes digitais.


Se você delas não participa, ou é “cancelado“, como se diz, você simplesmente deixa de existir enquanto influenciador de comportamento. Está reduzido a interagir com as pessoas imediatamente próximas a você. Um círculo de poucas dezenas de pessoas. Enquanto os que puderem expressar-se nas redes terão um espaço de expressão de milhões, bilhões, enfim virtualmente infinito.


A direita, censurada há muito tempo na Grande Imprensa progressista, que só permitia a veiculação de notícias com a sua interpretação, sob as suas versões e em seus termos, encontrou, encantada, nas redes sociais um espaço para expressar-se e valeu-se dele. Isso explica a eleição de líderes “demonizados” pela GI, como Trump, Salvini, os Kaczinski e um certo capitão em um país latino-americano.


Derrotadas temporariamente, as elites progressistas e sua serva e porta-voz, a Grande Imprensa, uniram-se no clamor pela censura às redes sociais. Fosse essa censura executada pelo Estado ou pelos donos das próprias redes (todos progressistas).


No Brasil, tivemos censura pelo Estado (Judiciário) e pelas redes. Nos EUA, foi iniciativa exclusiva das redes, mas provou-se tão espetacularmente efetiva que o presidente da nação mais poderosa do mundo está privado de espaço de expressão. (Em tempo: Não quero defender o que Trump fez, afirmo apenas que ele não poderia, em hipótese alguma, ter sua liberdade de expressão cerceada por organismos não eleitos e ideologicamente vinculados.)

 

A esquerda americana (concentrada no Partido Democrata) apoiou entusiasticamente a censura a Trump e aos seus apoiadores do Partido Republicano (feita por apoiadores declarados do Partido Democrata). Cerca de setenta mil “trumpistas radicais, fascistas e supremacistas brancos” (segundo os censuradores, únicos “juízes” no caso) tiveram suas páginas excluídas até agora.


Apoiou também, sem limites, a repressão estatal aos “Trumpistas“. Quase não fala no assassinato de uma manifestante desarmada na invasão ao Congresso. Mas divulga com destaque as prisões de “fascistas” e “golpistas” (sim, nos EUA a esquerda também adora colocar esse rótulo na direita).


Os Democratas também instauraram a toque de caixa um processo de impeachment contra Trump na Câmara dos Deputados, mesmo estando o presidente “amordaçado”, humilhado e garantindo que vai fazer uma transição de poder pacífica. (Repito: achei Trump irresponsável na convocação do protesto, mas nada que justificasse o impedimento de sua liberdade de expressão. Quanto mais um impeachment!)


Biden, que antes declarara querer acabar com a polarização política, governando para todos os americanos, sumiu de cena. Aparentemente não quer desautorizar os membros de seu Partido, todos ardentemente revanchistas. Isso tem tudo para acabar mal.


Especialmente se considerarmos que, segundo pesquisas, cerca de 80% dos eleitores republicanos continuam apoiando Trump, mesmo após a balbúrdia de 6 de janeiro. E este recebeu 74 milhões de votos (Biden teve aproximadamente 80 milhões). Ou seja, numa nação radicalmente dividida (politicamente) ao meio, o partido do presidente eleito, em vez de fazer acenos de pacificação e unificação nacional, investe na perseguição aos seguidores do presidente derrotado e humilhado.


Receita para mais conflitos.


O mesmo ocorre no Brasil.

 

Bolsonaro é um presidente que foi eleito mas não consegue governar, tolhido pelo Congresso e pelo Judiciário (Supremo Tribunal Federal) em tudo. Suas medidas provisórias não são convertidas em lei, seus atos administrativos são cassados pelo STF, seus partidários são censurados, têm os bens apreendidos e são presos.


É o presidente mais impotente e humilhado da história do Brasil.

 

Mas seus inimigos não se contentam com isso. Querem derrubá-lo a qualquer custo. Vem agora, provavelmente, nova tentativa de impeachment. Mesmo estando com bons índices de popularidade a nível nacional e, finalmente, uma certa base de apoio no Congresso. (Será justamente por isso?) Fico impressionado com a sanha vingancista, a ânsia de destruição da esquerda. Abdicam até da racionalidade mais comezinha.


Lembro-me de um episódio da história francesa: Napoleão, vítima de tentativas de assassinato, julgou que um membro da família real deposta, os Bourbons, o Duque de Enghien, tivera participação no caso e determinou sua prisão e execução. Parte de seus auxiliares apoiou-o, mas outros argumentaram que, com os monarquistas derrotados e humilhados, a ocasião era de oferecer-lhes um ramo de oliveira (gesto de conciliação), não de os provocar ainda mais com a execução do duque (cuja culpa, além do mais, era duvidosa).


Napoleão, teimosamente, executou o duque. Seu mais arguto ministro, Talleyrand, prevendo o acirramento da divisão política do país, teria comentado: “C’est plus q’un crime, c’est une faute terrible.” (É pior do que um crime, é um terrível erro.)” Os Bourbons terminaram voltando ao poder, e Napoleão teve que resignar ao trono. Terminou seus dias sozinho, preso numa ilhota estéril.


Pois é.


Estender a mão aos adversários é sabedoria.


“Chutar” o inimigo derrotado (ou impotente) é mais do que um crime. É uma tremenda estupidez.

 

Quem tiver ouvidos para ouvir, e olhos para ver, que ouça e veja.

Tenho mais medo de três jornais do que de cem baionetas. – Napoleão Bonaparte

Crônica: Genecy Souza – Relatos de Um “Cancelado” da Internet

Genecy Souza


Foi rápido e sem dor: bastaram alguns cliques e, pronto! Lá fui eu, mandado para o desterro, à danação eterna para arrastar a corrente atada aos meus pés, a andar sem rumo e sem descanso; um pária virtual. Me vejo como aquele leproso da Bíblia, que grita: “Impuro!”, advertindo as pessoas sãs que estou por perto. Sou um pobre coitado digno de pena. Ou de desprezo. Depende do olhar de quem me vê.

 

 

Estou só – como sempre – em meu quarto-exílio, gozando do meu ostracismo. Ouço o ruído do meu ar-condicionado e os latidos dos cachorros ao longe. Tenho muitos discos, meus companheiros de sempre, mas não quero ouvir nenhum agora. Tenho também meus livros, e uns vinte deles à espera dos meus olhos. E ainda: vídeos, revistas, enfim. A internet está à mão, mas não quero acessá-la agora. O(s) mundo(s) que ela mostra me cansa(m) às vezes. O melhor remédio é ficar na minha, unplugged, se é que me entendem.

 

 

Não corro mais o risco de ser cancelado. Guardadas as devidas proporções, agi como os russos fizeram com Napoleão Bonaparte: tática de terra arrasada, ou seja, nada fica para o inimigo.Zerei a possibilidade de novos cancelamentos. Traduzindo: fechei todas as redes sociais, exceto o WhatsApp por necessidades/exigências profissionais e familiares, mas apenas para assuntos realmente indispensáveis. A única exceção é que mantenho nele apenas dois amigos dos tempos de Facebook, ambos também cancelados. Entretanto, fui educado, saí da rede do Sr. Zuckerman sem bater a porta. Anunciei o dia e a hora da minha saída: 31 de janeiro de 2019. Agradeci os bons amigos e amigas que lá permaneceram pela companhia e as boas conversas. Houve quem lamentou. Já outros deram de ombros. C’estlavie. Ou. Foda-se o mundo que não me chamo Raimundo. O mundo continua girando.

 

 

A autoria do meu cancelamento partiu de Frank, o meu até então amigo-irmão por mais de 30 anos, do tempo em que a internet era apenas uma ficção futurista. De repente, aquela amizade tida como sólida se desfez em alguns cliques. Admito que não foi por falta de aviso (dele). Eu sabia que minha hora haveria de chegar em algum momento, pois já estava cada vez mais evidente sua insatisfação a respeito dos comentários postados no Facebook, por mim e por tantos outros. Ele ficava bastante incomodado com críticas, comentários, aforismos, vídeos, piadas que contrariavam suas convicções e preferências políticas. Preferi pagar o preço da espera, ou seja, me fingi de morto só para dar uma dedada no coveiro.

 

 

Evidentemente, nenhum dos comentários eram dirigidos à pessoa do meu ex-amigo-irmão. Eu sempre soube respeitar as opções políticas, ideológicas, sexuais, culturais, religiosas das pessoas até o limite do possível (entenda-se: desde que não afetem a minha intimidade ou liberdade de expressão e de pensamento). Frank é de esquerda. Conheci-o assim, e isso nunca foi um problema para nós.Além do mais, ele se apresentava como anarquista, perfil nem sempre bem visto pela esquerda tradicional. Para mim, essa postura era irreverente e até engraçada.

 

 

Muita coisa acontece em 30 anos. De bom e de ruim. As pessoas amadurecem e envelhecem. Ou apenas envelhecem,sem no entanto amadurecer. Há quem se torne sábio o bastante para analisar o mundo ao redor. E há aqueles que constroem bolhas, e nelas preferem viver, mas não se conformam em ficarem a sós nesse mundinho à parte. Eles preferem formar um rebanho para lhes servir de claque. Esse é o caso de Frank.

 

 

Estamos vivendo um fenômeno denominado cultura do cancelamento, o que, na verdade, não é propriamente uma novidade. A título de exemplo, basta dar uma olhada no que déspotas carniceiros do porte de Hitler, Stalin, Mao TseTung, Franco, Mussolini, Saddan Hussein, General Pinochet, Idi Amin, Fidel Castro e o Aiatolá Khomeini, por exemplo, cujo poder absoluto lhes permitia intimidar, espionar, censurar, perseguir, prender, torturar, exilar e, claro, matar seus adversários, fossem eles reais ou imaginários. Todos esses atos eram extensivos a parentes, amigos, colegas de trabalho e a outras pessoas relacionadas com os perseguidos. A História está repleta de relatos aterradores sobre o tratamento dado a quem simplesmente ousava pensar diferente do poder dominante, que possuía todo um aparato, a começar por uma imprensa subserviente, intelectuais e artistas complacentes por força do medo ou da conivência para fazer valer os ideais dos líderes de plantão.

 

 

Lamentavelmente, as práticas de cancelamento abordadas no parágrafo anterior ainda são praticadas em pleno século 21, seja pelo velho método, seja pelas redes sociais, com o diferencial de que os cancelamentos são executados virtualmente, sob os mais diversos pretextos e justificativas que torturam o bom senso, perseguem o benefício da dúvida e exilam o saudável hábito democrático de divergir dos conceitos majoritários de mundo. Ninguém pode agir como dono da razão, embora ela já possua centenas ou milhares de donos.

 

 

Nos dias que correm, a prática correção política impõe uma via única de pensamento e de ação, não importa o tema que estiver em debate: aborto, sexualidade, racismo, democracia, identidade de gênero, ideologia, liberdade de expressão, fascismo, geopolítica, economia, direitos humanos, meio ambiente, minorias étnicas, islamismo, feminismo, desigualdade social. E, para completar esse confuso quadro sócio-político e cultural, temos a pandemia causada pelo novo coronavírus, batizado oficialmente de Covid-19, que está ceifando não só vidas humanas, mas as economias e os empregos, o que, direta ou indiretamente também está tirando vidas humanas. Que ciclo cruel esse, não?

 

 

E é no bojo desse estado de coisas que a cultura do cancelamento versão século 21 prolifera como uma praga. O milagre da internet trouxe consigo esse desarranjo nas relações humanas, com destaque para os efeitos danosos no núcleo familiar das pessoas. Não se sabe até onde isso irá dar. Tudo o que se escreve nas redes sociais está sujeito a críticas, insultos, denúncias sem fundamento, acusações, patrulhamento, ‘dislikes’, bloqueios, ‘lacrações’, enfim… todos contra todos. Como se não bastasse, as pessoas passaram adotar políticos, intelectuais, artistas e celebridades, às quais devotam uma fidelidade canina e uma subserviência amoral, abrindo mão de um mínimo de senso crítico ou de uma abertura ao contraditório, com vistas a revisão de conceitos. Mudar de ponto de vista é praticamente um crime grave, passível, ora vejam, de cancelamento.

 

 

É evidente que há quem se beneficie dessa confusão, seja na forma de pessoas, empresas, entidades, grupos e partidos políticos, ONGs, organismos nacionais e internacionais e, claro, governos, principalmente aqueles com viés autoritário, e os que já são autoritários de fato. O velho lema “dividir para conquistar” continua valendo, mesmo que sob outros nomes, digamos, mais moderninhos.

 

 

A sentença proferida por um “juiz” (Frank) do Tribunal da Internet, Seção Facebook, só me trouxe benefícios. Já não desperdiço tempo nem noites de sono vasculhando as redes sociais, à cata de comentários, trocas de farpas, compartilhamento de inutilidades e de fakenews. Recuperei o tempo para fazer as coisas das quais sempre gostei. Não sofri uma espécie de “crise de abstinência” por não mais frequentar o Facebook, portais e blogs inúteis. E isso é muito bom, pois concluo que não desci ao nível de um viciado. É evidente que não posso abrir mão da internet. No entanto, é cada vez mais prazeroso ser o dono das minhas ações. De um modo ou de outro, o mundo nunca saiu do meu radar.

 

 

Vi Frank poucas vezes após meu cancelamento. Evidentemente não nos falamos mais. Evitamos um ao outro: ele a mim, por vergonha; e eu a ele, por decepção. Não sei o que ele estará fazendo agora. Imagino que esteja promovendo cancelamentos a torto e a direito daqueles que ousam discordar de suas ideias políticas, artísticas, culturais, filosóficas, etc. Talvez esteja caçando “fascistas” em toda parte, pois ele deve vê-los se esgueirando atrás de muros, saindo pelos bueiros, andando sobre os telhados ou escondidos atrás das árvores. Ironicamente, ele é aquilo que se propôs a combater. Sei que ele presta culto à personalidade daquele ex-presidente que esteve preso por corrupção, o qual só está solto graças a manobras de seus amigos instalados nas mais altas esferas do Poder Judiciário. O meu ex-amigo-irmão é um Camisa Negra dos tempos modernos. Mussolini teria orgulho de Frank.

 

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