Lu Genez [Vi a liberdade morrer a céu aberto]

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Lu Genez


Vi a liberdade morrer a céu aberto, sob um estrondoso aplauso da plateia, em meio aos “vivas” dos críticos cinicos de plantão. Era manhã de segunda, nascia-se o silêncio, como se gesta um natimorto, num acabado momento de luz.

Observado o óbito, a quem se deve o fato da janela estar opaca, sem brilho reluzido, sem voz na garganta, sem a possibilidade da rima e da poesia.

Há um decreto cabal de mordaça vigente, que se cumpram as vontades papais, ilegais e as determinadas em ofício. Afinal, são eles, os mandatários da justiça cega, prostituta e de enormes tetas hereges.

Esqueçam o luto e os dias de sol, não há tempo para lamentações, estão todos a mercê do domínio, de cabresto posto, do fim imposto. O tempo urge, e nossa desgraça começa, sem palavras adequadas, sem reza, sem som.

Sobram-se os vãos e os sussurros.

Lu Genez, Curitiba, é poeta escritora…

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