Lu Genez – [Um texto estéril, concebido no exato quadrante]

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Lu Genez

Um texto estéril, concebido no exato quadrante para que se caiba na linha,
Sem escarro ou escorregadio, sem a falha no acaso dos encontros das esquinas,
Sem divisão silábica ou consoante palatal , sem eco nem hiato, sem a cacofonia histérica das beatas virgens,
Servido pragmático, morto e sepultado sob os cantos góticos, ao final de uma homilia pagã.

Ao verso amorfo e inodoro, o aplauso oco da plateia
Que não chora, não ri, não tem orgasmos, não geme, não goza,
que coloca a máscara, que respira aliviada quando lhes escapam os dedos, dos sapatos de couro ilegítimo.
Em geometria, um quadrante é qualquer uma das partes iguais em que se pode dividir uma circunferência.

Ao salobro poema inservível, que não diz, não risca o quadro,
Não tem pele, rima , osso, cheiro, consistência.
Perdido entre as pontes e as estrelas, o viaduto e o concreto,
Ou no meio das pernas das velhas prostitutas cegas,
não causam espasmos, não sangram e não choram.
Conceda-lhes o silêncio, o descaso e o ponto final.

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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