Lu Genez – [Teu agudo grito vermelho atravessa a linha]

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Lu Genez


Teu agudo grito vermelho atravessa a linha, a parede branca deste arranha céu
quebra o silêncio da noite, no céu das bocas que não sabem beijar
Espalha-se, em sonoras ondas incômodas, tal qual nódoa de sangue em papel virgem
Denunciam a carne rompida, o acesso indevido, o obsceno crime fatídico.

Teu som mergulha na morte, acaba-se nos indiferentes ouvidos do incesto
A serpente e a presa rastejam juntas ao inferno,
Bebem de venenos diferentes, jazem sobre suas dores e medos milenares
Não esperam por anjos ou milagres perfeitos
Não há nenhum arremedo de salvação, no cômodo adjacente.

Teu sussurro inaudível habita o vácuo, nesse lugar de incertezas fatais
perde-se na rotina, no vão dos dias, entre os carros que correm para lugar nenhum
Nos lábios do descaso, onde o frio mora, e o fim faz esquina.

Tapam-se a boca e os olhos, em chão de concreto.

Maio 22

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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