Lu Genez [Teria mais certezas, se não fosse a noite]

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Lu Genez


Teria mais certezas, se não fosse a noite, se não tivesse febre, se a carne não te desejasse, se eu não escorresse quando os dedos me tomam, e a imagem do quadro tem teu nome.

Falaria sobre as febres, os diagnósticos selvagens, escreveria sobre agosto, sobre o inverno nos trópicos, sobre um verso inacabado, contaria lendas e histórias, diria sobre gozo e risos.

Seria outro alguém em uma montanha de cume pecaminoso, confessaria heresias decrépitas que me habitam, inventaria o personagem cético de riso duvidoso, soletraria perfeito a palavra dúvida, com todos os acentos e vogais tônicas.

Teria incertezas se a noite fosse clara, se dezembro não fosse fim, se a fome e a sede não se consumisse em lençóis azuis, se tudo fosse diagnóstico e verdade, se não houvesse o incerto, se teus olhos não fossem verdes,

E o meus, também.

Não sei de poesias

Lu Genez, Curitiba, é poeta escritora…

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