Lu Genez – [Surravam-nos de modo diferente na primavera]

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Lu Genez


Surravam-nos de modo diferente na primavera,
As varas verdes flexíveis marcavam vergões de fino trato,
Enquanto o assombro se misturava ao cheiro das papoulas
De todo o resto, a mesma animosidade sobre a carne,
A mesma desmesura das indiferenças e os refinamentos de silêncio.
Era como se não existíssemos, que não houvesse mais dor a ser carregada.
Bonecas de pano rasgado, a remedar-se com linhas de cordéis.
Depois, banhávamo-nos com mornas águas líricas, que não se demorasse agrados sobre a pele castigada.

Surravam-nos de modo diferente nas diferentes estações do ano
Todas elas, traziam os seus apetrechos e línguas
Todas elas, traziam os seus demônios e a estrela mais escura
Depois, insistíamos em amanhecer mais um dia
E essa, era a rebeldia possível, entre o sol e o inferno.

Que nos salvasse o corpo, de mais um apedrejamento.
Surravam-nos de modo diferente entre a noite e o dia
Sob a luz sombria e a escuridão adjacente,
os olhos tinham medo, enquanto os ossos existissem
E as paredes se recolhiam ao acaso, dando-nos as costas,
guardavam ouvidos e os decretos segredos em mausoléus de mármore branco.

Calendários só servem aos prognósticos lunares
Esquecem-se dos versos e das flores.

Junho 22

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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