Lu Genez [Sou o veneno que te empurram pelos lábios]

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Lu Genez


Sou o veneno que te empurram pelos lábios, antes mesmo que a boca possa te assegurar a menor possibilidade de salvação.

Sou a substância fina, líquida, que escapa pelos lados, que se entranha na terra, que simplesmente escorre , e se deita junto com as águas de um rio.

Sou o que se bebe a força, a nota ácida, acre, azeda , crítica e cínica
Que te trinca os dentes, e te força na contenção da primeira sílaba adversativa.

E todas as tentativas de suicídio, do repúdio ao inusitado, ao beco das ruas, ao acaso dos dias de nuvens, não passam de um mero arremedo de circo

Homem, tua negativa é inocua, insana e pueril,
Não lhe bastam a existência.
não se rebele, não resista, só engula o que lhe cabe, o que passa pela goela, o que empurram, sem causa aparente.

Melhor que me vomite, antes que eu lhe contamine as papilas, ultrapasse as amigdalas e desça lentamente pela faringe, espalhando meu gosto amargo e pegajoso.

Já sei que lhe matarei em doses homeopáticas, antes de bater o ponto, antes da meia noite, do infarto, do sexo, da hora marcada.

É no travo da língua, no engasgo, no arrasto, no devasso da sua pobre rotina de operário padrão,
Destilo de malte, de origami, de trigo pesado e absinto.

As sobras da vida que deixa a deriva, o resto de comida e da falta de sono.
São tuas células que morrem e, ao longo do tempo, são esquecidas.

Sou o veneno, o medo, tua vergonha e escuridão.
Me escarre, antes que o dia amanheça
Antes que a noite nos coma os ossos.

Lu Genez, Curitiba, é poeta escritora…

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